postais da ria (9)


 

a ria das flores

a ria das flores

 

realizou-se hoje, na torreira, a tradicional procissão das bateiras, até às quintas do norte, onde foi celebrada missa na igreja da srª da paz.

por tradição a procissão realizava-se no dia de corpo de deus, que este ano foi no passado dia 19, dia que era feriado nacional.

com a anulação do feriado, pelo actual governo, a procissão foi adiada para o domingo seguinte.

 

(ria de aveiro; torreira; jun, 2014)

 

obrigado à esmeralda e ao marido, joão, por nos terem levado na bateira

postais da ria (7)


 

aqui fica uma memória da regata de 2010

aqui fica uma memória da regata de 2010

 

 

regata da ria 2014

no próximo sábado, dia 28, de acordo com a informação divulgada pelo “Turismo do Centro” na página

http://www.turismodocentro.pt/pt/eventos_.14/ria_de_aveiro_weekend_2014_.a3623.html

vai decorrer a “GRANDE REGATA DE MOLICEIROS da Ria de Aveiro”……

por mero acaso encontrei um dos homens que está a par da organização, ao nível mais baixo, e perguntei-lhe como estávamos de regata.

a resposta resume-se ao que reproduzo:

– ainda não há moliceiros inscritos
– parece que querem que também participem bateiras à vela

……..

acho que estas informações, dadas por um soldado e não por um almirante, dizem de como vamos por aqui.

espero, porque sou homem de esperar, que no sábado haja regata, não sei com quantos moliceiros, mas que seja de moliceiros…..

espero…..

de amanhã a uma semana o que se passará na ria, será o que o “Turismo do Centro” divulgou na net, ou?

entretanto aqui fica uma memória da regata de 2010

 

postais da ria (6)


 

na maré cheia, a ilusão de que tudo bem....

porto de abrigo, na maré cheia, a ilusão de que tudo bem….

 

 

finalmente começaram as obras para a construção do novo porto de abrigo dos pescadores da torreira.

de todas as comunidades piscatórias do concelho da murtosa, a maior é a da torreira, entende-se por isso que tenha sido o último, desta primeira fase.

era preciso “treinar” no fazer dos portos de abrigo mais pequenos. creio nas boas intenções de quem manda.

espero que tenham aprendido com os erros cometidos nas interiores intervenções, nomeadamente, bico e chegado.

fotos como esta não poderão ser feitas em breve, porque estes são os últimos barcos que estão no velho porto de abrigo.

vou esperar pelo fim das obras e espero estar vivo um ano depois de terem terminado.

então, todos veremos o que foi feito e poderemos dizer da obra.

para já, é óbvio, que desejo que da obra resulte um porto de abrigo com as condições que os seus utilizadores merecem, e onde não tenham de esperar pela maré para sair de um atoleiro de lama.

as obras nos portos de abrigo têm sido uma aventura nem sempre bem sucedida.

 

 

(torreira; porto de abrigo; jun 2014)

postais da ria (5)


 

 

um moliceiro é assim

um moliceiro é assim

assistir ainda aos últimos
aos que ainda
emprestam beleza à ria
cisnes últimos desta laguna
que a aveiro emprestou a beleza

ide
fotografai o que deles resta
os amputados
os bastardos fibrosos aleijados
que jazem
no canal principal

ide
inventaram uma outra ria
para vender em postais
uns barcos de fazer de conta
para quem memória não tem
dos cisnes reais e seus vogares

assisto ao fim de um tempo
e dói-me
não o ter sido um dia
mas o cinismo com que se constrói
o amanhã

postais?
postais há muitos

 

(ria de aveiro; torreira; moliceiro do mestre zé rito; jun.2014)

notícias da ria (3)


 

mariscar na ria

mariscar na ria

sou assim
falta-me tempo para ser
perfeito
sou aquilo que sou num tempo
que é meu
enquanto

desculpem-me os que vêem em mim
mais do que aquilo que sou

não tenho ambição que não a de estar vivo
o tempo que me for dado
e nele ser tudo o que possa sem ser mais
do que isso

a perfeição é coisa que me é estranha
ser imperfeito
poderá ser defeito
mas é isso que sou
sem ter pretensão de

estou vivo e grito
não canto
que é coisa de artista

gritarei enquanto respirar

 
(ria de aveiro; torreira; 2014)

tu


 

o moliceiro do mestre zé rito, espera, ao longe, no seco, a vida

o moliceiro do mestre zé rito, espera, ao longe, no seco, a vida

 

não te agarres ao que foi
o ter sido lhe basta
o que há-de ser
sê-lo-á mesmo se sem ti
só agora
aqui
aquietado o tempo
és

não deixes que a ilusão
do amanhã
seja o teu tempo sonhado

repito
hoje agora já
és

tu

 

(torreira)

portugal


 

 

ahcravo_DSC_8127_bateira marina
porque hoje é o teu dia
este é o teu futuro

queira ou não queira
quem por ti fala
é este o teu povo
o que todos os dias
quer ser gente aqui

portugal
olha para este miúdo
e vê como é enorme

portugal
quem usa o teu nome
esquece muitos dos teus

portugal
se tu estás mal
ele também está

portugal
amo-te

(torreira, marina dos pescadores, jun.2014)

eu


 

 

mais um andar ou o resto do aparelho da solheira prestes a ser colhido

mais um andar, ou o resto do aparelho da solheira, prestes a ser colhido

entre os poetas
que se dão ao trabalho de ler
palavras minhas
penduradas em imagens
sou
um fotógrafo

ao contrário
entre os fotógrafos
que distraidamente
soletram os poemas
que às imagens junto
sou
um poeta

falar de mim é por isso
escrever em imagens
registar com palavras
sempre o outro
o que não é

passo por entre
e fico em mim
a ser eu

sorrindo
(lentamente a rede vai sendo colhida pelo joão costeira, e eu fico assim pendurado do que sou, a boiar nas águas da ria)

viver


 

 

chegado, era manhã e eu ......

chegado, era manhã e eu ……

 

poderia dar-te tudo
mas é de nada que são feitos
os mais belos momentos
nada
é a possibilidade de seres
tu a fazer tudo

a solidão ensina-te a ler
as cores do silêncio
desenharás o que quiseres onde
e como te apetecer

tudo o que te ofereço
é o nada onde podes ser criador
de um mundo diverso
claro e diurno

fácil será receber
estar vivo é fazer

assim te quero

(no chegado a hora por vezes não chega)