bordões e estacadões


 

massa (joaquim rodrigues e gabriel dias

massa (joaquim rodrigues e gabriel dias

quando as mangas chegam à praia é necessário “ampará-las” para que não sejam arrastadas pela força da corrente e se abram, deixando o peixe fugir.

se não se tem este cuidado pode-se dizer que todo o trabalho de um lanço “morre na praia” porque sem peixe.

para amparar as mangas servem os bordões e a força de braços e pés.

aos bordões, chamam os pescadores da praia de mira “estacadões”. este é um dos problemas com que se defrontam os “estudiosos” da artes de pesca: as designações locais para o mesmo apetrecho ou arte. mas isso é outro assunto.

a dar o seu melhor estão o massa (joaquim rodrigues) agarrado ao bordão e o gabriel dias.

(torreira; companha do marco; 2010)

o aparelhar do saco


joão "rodinhas" e ti alfredo neto

joão “rodinhas” e ti alfredo neto

a seguir à manga da mão de barca, como já se disse, é aparelhado o saco.

por vezes, quando a rede é colocada sobre a zorra, depois de seca, o saco não fica na posição correcta e é necessário, ao aparelhar inverter a posição – em vez de estar virado à ré, ficou virado à proa.

 

(torreira; companha do marco; 2010)

o aparelhar da mão de barca


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em cima da zorra, seca e quase sem areia, a rede, que será disposta do lado da ré do barco

por cima a manga da mão de barca, vê-se em torno da zorra o saco, e por baixo a manga do reçoeiro.

enquanto um dos membros da companha vai levantando as redes, os restantes “abrem” e desemaranham as malhas.

trabalho pesado e com muita arte, como tudo o que se quer bem feito

(torreira; companha do marco; 2010)

aparelhar


dentro do barco as mangas

dentro do barco a manga da mão de barca, no fundo

no aparelhar, a disposição do aparelho no barco é fundamental para que o “largar”, durante o lanço, decorra sem problemas.

a sequência de largar é: cala do reçoeiro; manga do reçoeiro; saco; manda da mão de barca; cala da mão de barca.

neste registo é a “manga da mão de barca” que entra no barco, seguir-se-á o “saco” que será amarrado à bica da ré e irá assentar na “cala da mão de barca”, que já está por debaixo do traste e à meia proa do barco, depois a “manga do reçoeiro” e, finalmente, a “cala do reçoeiro” sobre todo o conjunto.

aqui, um espreitar para o por dentro.

 

(companha do marco; torreira; 2010)

marco silva


marco silva, arrais da companha

marco silva, arrais da companha

enquanto os aladores trabalham e vão trazendo a rede para terra vai-se controlando a posição dos arinques – bóias amarradas aos calões e que os sinalizam – têm de vir alinhados e paralelos à costa e a calime – bóia do topo do saco – no centro dos dois.

para que tal aconteça os homens no comando dos aladores estão em contacto permanente para controlar o andamento do alar.

hoje usam-se walkie talkies, mas eram os gritos, os sinais com bonés ou assobios que chamavam a atenção para o andamento a corrigir.

este é um dos momentos cruciais da pesca, que dura mais de 1h30m, e em que se pode deitar o lanço a perder: arinques desalinhados é peixe a fugir do cerco.

(companha do marco; torreira; 2010)

recriação da xávega na torreira, em 22 de setembro de 2013


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foi, sem dúvida, a melhor recriação a que até hoje assisti. estão de parabéns a organização e o magnífico dia que tão bem contribuiu para que tudo corresse bem.

refira-se que, à excepção da utilização dos bois, como força de tracção, das vestes dos participantes e dos primeiros momentos do largar (a remos durante mais tempo que o que hoje se usa), tudo o mais é actual.

foram muitos os que quiseram assistir a esta recriação, a praia estava cheia como se agosto fosse, e não era …..

ficam, porém, aqui alguns “avisos à navegação”, como escreveu em tempos o meu grande amigo joaquim namorado.

1. seria conveniente criar uma zona cercada por cordas, no interior da qual a recriação ocorresse. só assim se evitaria que fotógrafos fotografassem outros e se tornasse quase impossível, obter um registo só com a recriação

2. porque não fazer recriações todos os anos, como em muitas outras praias, e não só em ano de eleições autárquicas e dentro do período eleitoral ( procurei no programa do partido que actualmente está no executivo da autarquia e não vi qualquer referência ao mar ou à xávega….)

3. aos participantes gostava de lembrar, sem os querer ensinar sobre o que quer que seja, que os bois que participaram na recriação não estão habituados a esta faina, pelo que violência gratuita sobre eles em nada beneficia a recriação e cria aversão, com razão, em muitos assistentes.

4. na torreira há 2 companhas, porque não juntá-las neste evento ou alternar, caso haja mais, a participação?

quanto às fotos que aqui deixo como testemunho daquilo a que assisti, representam aquilo que pude registar, uma vez que fui insultado e impedido de fotografar pelos dois donos da companha, antes da hora em que o evento se tornou público – tinha eu chegado com 1h30m de antecedência – e não autorizado a divulgação de fotos suas.

ficam assim, aqui, os registos possíveis e o agradecimento àquela murtoseira que se me dirigiu na praia e disse: “obrigado pelas suas fotografias, quando estamos tristes nos estados unidos e temos saudades da terra, vamos vê-las”. é também por eles que aqui estou.

 

nota: a sequência porque as fotos são apresentadas é a sequência natural dos acontecimentos: pôr o barco no mar, o ganhar do mar e o alar das calas

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henrique brandão