crónicas da xávega (117)


as mortes da vida

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a teresa, a cacilda e a olívia (falecida)

os dias são imensos
plenos de areia e mar
sal suor mãos peixe

como se penas as escamas
fazem delas aves
poisadas na beira mar
debicando peixes

são as mulheres da torreira
que à torreira do sol
ganham o quinhão de pão

chamo-as pelo nome
e a olívia
responde-me da memória

a vida está cheia de mortes

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a teresa, a cacilda e a olívia (falecida)

(torreira; companha do marco; 2012)

postais da ria (119)


palavras para mim

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as palavras necessárias

livros eram três de histórias
para uma menina que nesse dia
seis anos breves fazia

a minha neta mais nova
a rosarinho

junto um postal em forma de flor
e palavras do avô

ao telefone
o livro de que gostei mais foi o da flor

porquê
quis saber

tinha palavras para mim

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há palavras à espera

(ria de aveiro; torreira)

um amigo para os amigos


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o meu amigo do mar, para os meus amigos da terra

ontem em coimbra

tarde de sol aberto, temperatura amena, sábado, dezembro.

ontem em coimbra

o adelino castro e a carla, da lápis de memórias, abriram as portas a um amigo, para a apresentação de um livro de que não eram editores, deram o que tinham. num sábado à tarde, de sol aberto, em dezembro, com a  temperatura amena

ontem em coimbra

o diamantino e a ção vieram de aveiro, o diamantino fez a apresentação do livro, com uma palestra caminhando pelos trilhos do livro e do autor. num sábado à tarde, em dezembro, pleno de sol e temperatura amena.

ontem em coimbra

a teresa namorado, veio da figueira, o manuel marques embora achacado, veio e despediu-se que em casa era preciso, a mariana alface, o fernando (com o beijo da lena também), o antónio vilhena,  a isabel faria, a conceição ruivo; estiveram numa cave, com luz artificial, num dia pleno de sol, num sábado de dezembro, à tarde.

ontem em coimbra

foi bom saber que amigos tenho que trocaram o sol de dezembro, num sábado à tarde para estarem comigo na apresentação de “sou tudo o que aqui encontras”. foi bom encontrá-los porque eu também sou eles.

obrigado por serem

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o meu amigo agostinho trabalhito, pescador da torreira e de portugal

os moliceiros têm vela (167)


continuar

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“andar à vara”

o que resta de mim
é o haver ainda
uma flor por nascer
outras que pouco vejo
mas sinto minhas

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

agarro-me às raízes
enterradas fundo no mar
ao moliço da ria antiga
vara espetada no lodo dos dias
empurrando um casco velho

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

reinvento-me para continuar

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tanta arte quanto à vela

(torreira; regata do s. paio; 2010)

postais da ria (118)


digo

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a limpidez das palavras
o serem assim
todas para todos

não quero explicar a luz
o princípio do mundo
sequer o porque estou vivo
não é esse o meu intento

dou-te um copo de água
sem corantes nem conservantes
para que mates a sede
sem preocupações de dicionário

o mais são outras navegações

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(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2014)

os moliceiros têm vela (166)


conversar

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viver é navegar à vela dos dias

somam-se na memória os nomes
guardam-se os rostos
ressoam os sons das vozes dos sorrisos

todos os dias
o tempo varre do sol
os que a mais
no seu critério intemporal

sem saberem que já não
suspeitando alguns o quando
muitos me vão deixando
e é imenso o peso da ausência

escrevo para os lembrar
conversar ainda

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há dias assim, cheios de tudo

(torreira; regata da ria; 2011)