os moliceiros têm vela (165)


fomos

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hoje será sempre o dia
em que tu eu nós

tudo o que foi é agora
tudo o que será agora é

estar vivo é ser hoje
com a sabedoria de ontem
o desejo de um amanhã

por entre os dedos
sempre por entre eles
a areia fina dos dias

um grão escorre e cai
fomos

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(torreira; regata do s. paio; 2012)

postais da ria (116)


para o vilmar vidor

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a viagem do vilmar pode ser assim

aos amigos virtuais
uma amizade real os une

um nome um rosto
uma mensagem uma foto
uma vida para além da vida

por existirem num outro real
os amigos virtuais nunca morrem
nem sabem de partidas

por isso tu vilmar vidor
continuas comigo

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toda a beleza atravessa o oceano num barco para ate abraçar, vilmar

(torreira; regata das bateiras; s. paio; 2014)

crónicas da xávega (113)


é este o meu tempo

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o sérgio e o ricardo, filhos do arrais marco silva

escrevo mar e amor
por dentro das palavras
vida a pulsar em mim

imagens sons cheiros
barcos homens mulheres
ondas gaivotas peixe

voo devagar por sobre tudo
como se o sol nascesse
sempre

é este o meu tempo

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os irmãos sérgio e ricardo, carregam um dos braços de aço da muleta

(torreira; companha do marco; 2015)

 

postais da ria (114)


terror

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(revoltam-me as vítimas de todas as raças
cubro-me com as bandeiras de todos os países
porque em tudo sangue)

 
invadem-te a casa
matam-te os filhos
com o que lhes vendeste
para que aos seus
não aos teus

invadem-te a casa
matam-te os filhos
com o que lhes ensinaste
que aos seus
nunca aos teus

o terror é a guerra à tua porta

o treino foi intenso
o material bem pago
as exportações aumentaram
os indicadores nunca tão bons
os ofchores sorridentes
nunca tanto com tão pouco

em luxuosas salas climatizadas
definem-se estratégias
estudam-se novos negócios
planeiam-se investimentos
procuram-se fornecedores
estrutura-se a rede de distribuição
definem-se percentagens a ofertar
aos agentes dos compradores

o terror é a guerra à tua porta
e isso
também é economia estúpido

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(torreira, uma bateira adormecida)

crónicas da xávega (109)


falo a língua do sal

a escolha é sábia

a escolha é sábia

não digo da pedra
que é água
do vento que areia

digo-te que o que é
não deixa de ser
só porque o nomeias
de forma diversa

lutei pelos dias claros
em todos os olhos
não semeies nuvens
onde sol poisou

falo a língua do sal

saber escolher é saber do ganho

saber escolher é saber do ganho

(torreira; companha do marco; 2012)