o furadouro não está aqui


o vídeo que se segue e se diz ser sobre o furadouro, infelizmente é constituído maioritariamente por fotos minhas da torreira e uma histórica referenciada como registando o famoso arrais de aveiro, gabriel ançã.
assim não se contribui em nada para a divulgação de uma das praias mãe da xávega, antes se confunde tudo.

atenção, pois, à navegação

 

nuno camarneiro na “lápis de memórias”


 

nuno camarneiro

nuno camarneiro

 

 

“todo o artista quer ser músico”, nuno camarneiro

 

no dia 23 de maio de 2013, nuno camarneiro falou, no auditório da “lápis de memórias”, em coimbra, de si e da forma como se foram fazendo os seus livros.

 

depois de “no meu peito não voam pássaros”, um livro fascinante, “debaixo de algum céu” ganhou em 2012 o prémio leya. para um jovem autor, que mais pedir para ganhar um outro céu?

 

pela mão de maria do rosário pedreira aprender a voar não é fácil, mas que se chega ao céu, isso chega, assim se queira e possa.

 

parabéns nuno camarneiro.

 

aqui ficam os registos possíveis desse encontro:

 

clip 1

 

 

clip 2

 

 

clip 3

 

 

 

espero que gostem como eu gostei destes momentos de troca de

 

 

 

 

 

louzâ henriques fala de abel botelho


manuel louzã henriques

manuel louzã henriques

 

se ser radical é ir até à raiz das coisas, louzã henriques será radical por definição.

a análise que fez, durante cerca de duas horas, sobre a obra de abel botelho, numa das suas “conversas vadias”, na “lápis de memórias” em coimbra, a que chamou “cascalho literário”, leva-nos a percorrer todo um caminho de saber que cativa e enriquece quem teve a oportunidade de estar presente.

se cada homem é uma história, como já alguém escreveu, manuel louzã henriques, é um homem com história e que faz história com muitas histórias.

aqui fica o testemunho possível desses momentos

clip 1

clip 2

clip 3

clip 4

clip 5

clip 6

coimbra_1 de maio de 2013


 

Dificuldade de governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo 
Como é difícil governar. Sem os ministros 
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. 
Nem um pedaço de carvão sairia das minas 
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda 
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra 
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol 
Sem a autorização do Führer? 
Não é nada provável e se o fosse 
Ele nasceria por certo fora do lugar. 

2

E também difícil, ao que nos é dito, 
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão 
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. 
Se algures fizessem um arado 
Ele nunca chegaria ao campo sem 
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, 
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que 
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? 
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas. 

Se governar fosse fácil 
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. 
Se o operário soubesse usar a sua máquina 
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas 
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. 
E só porque toda a gente é tão estúpida 
Que há necessidade de alguns tão inteligentes. 

Ou será que 
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira 
São coisas que custam a aprender?

 

(Bertold Brecht)

 

uma criança a sorrir abril


cravos de abril

cravos de abril

 

trazer abril no peito

senti-lo sorrir

senti-lo chorar

a raiva e a alegria

no mesmo abraço

 

basta

um cravo ao peito

um cravo no peito

um cravo apenas

 

olho os peitos

as lapelas

que aos cravos devem

o estarem

e não os vejo não os vejo

 

na mão de uma criança

um cravo sorri

sorriso puro

de puro abril

primavera de um tempo outro

 

sorrio também

tenho uma criança dentro de mim

a sorrir abril