perdi algures
as palavras
no teclado de um piano
escuto-as em silêncio
a música
é infinita
perdi algures
as palavras
no teclado de um piano
escuto-as em silêncio
a música
é infinita
o vazio
flutuar
nada é
tudo pode
sonho
flutuo
sorvo
momentos
de
respirar
duvida
é natural que o sintas
o real começa a deixar de o ser
a beleza é sublime demais
estranho
muito estranho
estranhamento belo
tão estranho
quanto real
tão belo
quanto duro
tão feérico
como viver da ria
é uma existência não existente
uma estranha forma de ser
ave e lavrar a lama
nisto se fazendo gente
pairar sobre as águas
será sonho
mas quem pode evitar
o sonho de voar?
fica na dúvida
guarda-me a teu lado
um lugar
fiquemos assim ambos
sentados sem saber se
é o real que estamos a olhar
sobre
o amargo deste
ser aqui agora
falarei mais tarde
deixa que agora
a música fale
jazzmente
venho de longe
cantaste
hoje te digo
voa
vai para ainda
mais longe
aqui custa
respirar
aprender
com o silêncio
a ser mais amigo
do mar
abrigo breve
construir
sobre a areia
adormecer
estar aqui
não ser ninguém
paisagem de
pássaros
abrem sobre a noite
cânticos marítimos
ondeias
flutuações
espero
sempre
um raio de luz
na noite mais negra
mais fria
aqui jazz aceso
todas as falas
são fala de vida
grito imenso
pintando de sons
o silêncio dos dias
dizer noite
procurar palavras
sedosamente
adormecer-te dentro delas
essa a música