barco de mar s. josé, companha do zé monteiro, praia de mira
xávega
o mar ignora-nos
quão pequenos somos
para menos ainda
nos fazermos
desconheço
outros caminhos
que não os por mim
abertos
aprendi
a dizer não
se para mim sim
sendo sempre
eu
nada mais que isso
eu
e tantos em mim
pescadores
digo
dos meus
orgulho de ser
deles
um
quão pequenos somos …
imenso o mar
ignora-nos
(torreira; companha do marco, 2010)
sempre
do aprender
e pur si muove
vai o peixe à mão?
voou dela?
a magia do congelar
do momento
recria realidades
provoca leituras
não altera o que foi
preserva-o
entrega-o a
é teu e tu o lerás
como
as mãos são
ainda
o grande fascínio
do homem
habilis somos
porque mãos
e como diria galileu:
e pur si muove
(torreira; companha do murta)
mãos de mim
nem todo o peso
a desilusão do pescador ganha desafio no fotogénicos
tem de mudar

quantos anos a olhar o chão
ana?
da barraca para o mar
o alfredo criança ainda
a teus pés de mãe
são de areia os teus caminhos
de areia o chão da barraca
de areia a tua vida
esboroa-se por entre os dedos
o trabalho
sem outros frutos que não o parco peixe
quantos anos a olhar o chão
ana?
quantas como tu de cabeça
baixa?
habitas ao pé do sonho de muitos
mas só isso
que teu é o pesadelo dos dias
de seres da casa o homem
e de teres criado o teu filho
a força de braço
só os teus
será já tarde para ti
a mudança
mas nunca é tarde para quem te vê
sentir que tem de
(torreira; companha do marco; 2010)








