xávega
serem aqui gente
mulheres-crianças-meninas
ao peso das redes e das cordas
crescem na areia
beijando o mar
sabem das férias
o sabor a sal
a escamas no rosto
o corpo inteiro é
resistem
que mais se lhes não pede
não as chamam
vêm
não lhes pedem
fazem
crianças-meninas-mulheres
sorriem brincam são mais
no serem aqui
gente
(torreira; companha do murta)
memória da torreira_2007
vencer o mar (III)
xávega_o aparelhar
é este o aparelho da xávega
à memória do arrais zé murta
só se no mar
do milheirão
a companha se dizia
lagoa azul
do barco o nome
venceram o mar
não venceram o tempo
foi-se a companha
jaz o barco em terra
no barracão envergonhado
de não ter mais mar
barco em terra deixado
é madeira afeiçoada e decorada
mas jamais
lhe poderás chamar barco
que mar não vê já
foram-se os homens
a outras companhas o pão
ganhar
que esta é a vida de quem nasceu
para ser homem só se no mar
(praia de mira; companha do milheirão; 2009)








