o camarada mar
são homens do mar
conhecem-no
dão-lhe os bons dias
é um camarada de feitio
nem sempre fácil
de mãos nem sempre abertas
mas é um camarada
(torreira; companha do marco; 2010)
nunca
duas faces têm os dias
nunca saberás o peso
do fardo de ser
até te pesar nos ombros
o amargor das palavras
onde amor devia
duas faces têm os dias
verga-se não o corpo
mas o que dentro dele
mais frágil e sensível
é no mar que afogas
a raiva de seres assim
dares a outra face
nunca
(torreira; companha do marco; 2014)
se te apanho
deixaste os portugueses atrás
na fuga precipitada para o abismo
empurrado por uma europa
a que só resta um eu no centro
solidário consigo mesmo
deixaste os portugueses atrás
destruíste lares laços afectos
semeaste desespero fome abandonos
encheste os bolsos de alguns
fazendo deles o país não o povo
não me digas que depois de tantos
atrás deixares esquecidos que foram
menos no esbulhar dos haveres parcos
depois de tanto teres feito para tão poucos
a troco de trinta dinheiros embolsados
vigarices muitas falta de princípios basta
não me digas
portugal à frente
que à frente irás tu
tenha o povo memória
saibam as gentes o que querem
portugal à frente
e eu atrás de ti
se te apanho
(torreira; companha do marco; 2013)