crónicas da xávega (87)


a corda e a mão

os olhos mais além

os olhos mais além

a mão na corda
ou a corda na mão?

o que diz a mão da corda?
e a corda da mão?

quando uma?
quando a outra?

tudo tem o seu momento
isso te digo
sê ambas e serás

o ti horácio encaminha a mão de barca no arribar

o ti horácio encaminha a mão de barca no arribar

(torreira; companha do marco; 2015)

crónicas da xávega (84)


nunca

o peso do saco

o peso do saco

duas faces têm os dias

nunca saberás o peso
do fardo de ser
até te pesar nos ombros
o amargor das palavras
onde amor devia

duas faces têm os dias

verga-se não o corpo
mas o que dentro dele
mais frágil e sensível
é no mar que afogas
a raiva de seres assim

dares a outra face
nunca

pesado fardo, duro caminho

pesado fardo, duro caminho

(torreira; companha do marco; 2014)

crónicas da xávega (81)


se te apanho

a condução da manga

a condução da manga

deixaste os portugueses atrás
na fuga precipitada para o abismo
empurrado por uma europa
a que só resta um eu no centro
solidário consigo mesmo

deixaste os portugueses atrás
destruíste lares laços afectos
semeaste desespero fome abandonos
encheste os bolsos de alguns
fazendo deles o país não o povo

não me digas que depois de tantos
atrás deixares esquecidos que foram
menos no esbulhar dos haveres parcos
depois de tanto teres feito para tão poucos
a troco de trinta dinheiros embolsados
vigarices muitas falta de princípios basta

não me digas
portugal à frente
que à frente irás tu
tenha o povo memória
saibam as gentes o que querem

portugal à frente
e eu atrás de ti

se te apanho

a mão fechada sobre

a mão fechada sobre

(torreira; companha do marco; 2013)