já virado à ré, e seguro por agostinho trabalhito “canhoto”, o saco
(companha do marco; torreira; 2010)
a seguir à manga da mão de barca, como já se disse, é aparelhado o saco.
por vezes, quando a rede é colocada sobre a zorra, depois de seca, o saco não fica na posição correcta e é necessário, ao aparelhar inverter a posição – em vez de estar virado à ré, ficou virado à proa.
(torreira; companha do marco; 2010)
as fotos mais “espectaculares” da xávega são as que registam o embate do barco com a vaga.
para captar esses momentos é preciso conhecer o tipo de declive da costa, usar lentes adequadas e escolher o ângulo máquina/barco.
no caso da torreira a costa tem uma configuração que os pescadores definem da seguinte forma: praia, lago, cabeço, largo.
os embates podem-se dar ao largar, no lago, ou no cabeço. quando o mar permite, o arrais aproveita o “liso” para largar e depois vai “galeando” no lago, até encontrar outro liso no cabeço e ganhar o largo.
a minha experiência, diz-me que tenho de estar preparado para que o embate com a onda se dê em qualquer dos dois locais, por isso a minha objectiva preferida é uma tele 18/270m que me permite com uma só máquina, cobrir as duas situações.
claro que para registar um embate no cabeço seria ideal ter uma tele superior a 300mm, mas isso implica ter mais uma máquina, o que nem sempre dá jeito: dentro de água, com duas máquinas ao pescoço …..
este registo foi feito com a tele no máximo e num cabeço muito mais afastado que o habitual.
são sugestões, nada mais do que isso. sugestões, com muita água pela cintura ….
enquanto os aladores trabalham e vão trazendo a rede para terra vai-se controlando a posição dos arinques – bóias amarradas aos calões e que os sinalizam – têm de vir alinhados e paralelos à costa e a calime – bóia do topo do saco – no centro dos dois.
para que tal aconteça os homens no comando dos aladores estão em contacto permanente para controlar o andamento do alar.
hoje usam-se walkie talkies, mas eram os gritos, os sinais com bonés ou assobios que chamavam a atenção para o andamento a corrigir.
este é um dos momentos cruciais da pesca, que dura mais de 1h30m, e em que se pode deitar o lanço a perder: arinques desalinhados é peixe a fugir do cerco.
(companha do marco; torreira; 2010)
voa o peixe
das mãos dos homens
irmãos nesta lide de mar
nesta safra rala de pão
as mãos
sempre as mãos
tudo decidem
depois de pensado o destino
feita a escolha
que importa a ucrânia
tão longe
a torreira
aqui já
o mar todos une
e o que já partiu
habita no que ainda por cá
em cada escama
de cada dia
falo dos amigos
e das teias que xávega tece
(companha do marco; torreira; 2010)
iremos:
(Plano de Acção)
tudo tem o seu tempo
que o tempo tudo tem
viagens impossíveis não as há
queiram os homens navegar
ser o testemunho da memória
o tempo por dentro do tempo
para além do tempo
nada é o que foi
mas a imitação do ontem
é a construção hoje
de um amanhã
onde ter sido é orgulho
de um povo
viagens impossíveis
só as que não quisermos fazer