o aparelhar do saco


joão "rodinhas" e ti alfredo neto

joão “rodinhas” e ti alfredo neto

a seguir à manga da mão de barca, como já se disse, é aparelhado o saco.

por vezes, quando a rede é colocada sobre a zorra, depois de seca, o saco não fica na posição correcta e é necessário, ao aparelhar inverter a posição – em vez de estar virado à ré, ficou virado à proa.

 

(torreira; companha do marco; 2010)

pancada de mar


torreira, 2013

torreira, 2013

 
as fotos mais “espectaculares” da xávega são as que registam o embate do barco com a vaga.

para captar esses momentos é preciso conhecer o tipo de declive da costa, usar lentes adequadas e escolher o ângulo máquina/barco.

no caso da torreira a costa tem uma configuração que os pescadores definem da seguinte forma: praia, lago, cabeço, largo.

os embates podem-se dar ao largar, no lago, ou no cabeço. quando o mar permite, o arrais aproveita o “liso” para largar e depois vai “galeando” no lago, até encontrar outro liso no cabeço e ganhar o largo.

a minha experiência, diz-me que tenho de estar preparado para que o embate com a onda se dê em qualquer dos dois locais, por isso a minha objectiva preferida é uma tele 18/270m que me permite com uma só máquina, cobrir as duas situações.

claro que para registar um embate no cabeço seria ideal ter uma tele superior a 300mm, mas isso implica ter mais uma máquina, o que nem sempre dá jeito: dentro de água, com duas máquinas ao pescoço …..

este registo foi feito com a tele no máximo e num cabeço muito mais afastado que o habitual.

são sugestões, nada mais do que isso. sugestões, com muita água pela cintura ….

marco silva


marco silva, arrais da companha

marco silva, arrais da companha

enquanto os aladores trabalham e vão trazendo a rede para terra vai-se controlando a posição dos arinques – bóias amarradas aos calões e que os sinalizam – têm de vir alinhados e paralelos à costa e a calime – bóia do topo do saco – no centro dos dois.

para que tal aconteça os homens no comando dos aladores estão em contacto permanente para controlar o andamento do alar.

hoje usam-se walkie talkies, mas eram os gritos, os sinais com bonés ou assobios que chamavam a atenção para o andamento a corrigir.

este é um dos momentos cruciais da pesca, que dura mais de 1h30m, e em que se pode deitar o lanço a perder: arinques desalinhados é peixe a fugir do cerco.

(companha do marco; torreira; 2010)

nicole e ti miguel bitaolra


nicole (falecido) e ti miguel bitaolra

nicole (falecido) e ti miguel bitaolra

voa o peixe
das mãos dos homens
irmãos nesta lide de mar
nesta safra rala de pão

as mãos
sempre as mãos
tudo decidem
depois de pensado o destino
feita a escolha

que importa a ucrânia
tão longe
a torreira
aqui já

o mar todos une
e o que já partiu
habita no que ainda por cá
em cada escama
de cada dia

falo dos amigos
e das teias que xávega tece

(companha do marco; torreira; 2010)

por isto estou na equipa de jorge bacelar


 

maria de fátima; companha do marco, torreira; 2013

maria de fátima; companha do marco, torreira; 2013

 

iremos:

 

  • Construir infraestruturas de apoio à Arte Xávega
  • Participar activamente na comissão composta por autarcas e representantes dos pescadores na defesa da arte xávega
  • Pressionar o poder central para a legalização da venda da totalidade da captura de peixe do primeiro lanço da arte xávega

 

(Plano de Acção)

viagens impossíveis ?


recriação da xávega com bois, torreira, setembro, 2013

recriação da xávega com bois, torreira, setembro, 2013

 

tudo tem o seu tempo

que o tempo tudo tem

 

viagens impossíveis não as há

queiram os homens navegar

ser o testemunho da memória

o tempo por dentro do tempo

para além do tempo

 

nada é o que foi

mas a imitação do ontem

é a construção hoje

de um amanhã

onde ter sido é orgulho

de um povo

 

viagens impossíveis

só as que não quisermos fazer