zé caravela


 

 

 

zé caravela

zé caravela

abraçar o mar
com a força dos olhos

sentir o mar
nos braços
no peso das cordas
nos pés que se enterram na areia
ao peso de tudo

saber o mar
lê-lo com todos os sentidos
e saber que nada se sabe a não ser
que é o mar

o mesmo mar
com quem teimar
é destino diário
e não cântico efémero
sem saber notas
nem ler pautas
só para encantar

conhecer o mar?
pretensão de quem pensa
em tudo poder mandar

que tamanho tem o homem?


 

o arrais marco silva, torreira, 2010

o arrais marco silva, torreira, 2010

o do desafio que aceita?

o do sonho porque luta?
o do amor que o alimenta?

não há mar a mais
nem se precisam de homens do leme
há saberes e rotas
desejos e metas

há o Homem
que só o é porque há outros homens
saibam-no ou não
basta que ele o saiba
e seja mais que ele
seja todos
mesmo aqueles que não se sabem
para o saber a ele

o tamanho do homem?
boa pergunta

o arribar da “mão de barca”


 

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quando o barco de mar arriba traz consigo a cala “mão de barca” que, puxada pelo alador, fecha o cerco cuja outra extremidade é o “reçoeiro” – a cala que ficou em terra.

para chegar ao alador e começar a máquina a trabalhar é preciso força de braço.

força da gente de terra, força, força, muita.

 

companha do marco; torreira; 2010