o aparelhar da “mão de barca”
gabriel dias e o arrais marco silva
companha do marco; torreira; 2010
iremos:
(Plano de Acção)
tudo tem o seu tempo
que o tempo tudo tem
viagens impossíveis não as há
queiram os homens navegar
ser o testemunho da memória
o tempo por dentro do tempo
para além do tempo
nada é o que foi
mas a imitação do ontem
é a construção hoje
de um amanhã
onde ter sido é orgulho
de um povo
viagens impossíveis
só as que não quisermos fazer
foi, sem dúvida, a melhor recriação a que até hoje assisti. estão de parabéns a organização e o magnífico dia que tão bem contribuiu para que tudo corresse bem.
refira-se que, à excepção da utilização dos bois, como força de tracção, das vestes dos participantes e dos primeiros momentos do largar (a remos durante mais tempo que o que hoje se usa), tudo o mais é actual.
foram muitos os que quiseram assistir a esta recriação, a praia estava cheia como se agosto fosse, e não era …..
ficam, porém, aqui alguns “avisos à navegação”, como escreveu em tempos o meu grande amigo joaquim namorado.
1. seria conveniente criar uma zona cercada por cordas, no interior da qual a recriação ocorresse. só assim se evitaria que fotógrafos fotografassem outros e se tornasse quase impossível, obter um registo só com a recriação
2. porque não fazer recriações todos os anos, como em muitas outras praias, e não só em ano de eleições autárquicas e dentro do período eleitoral ( procurei no programa do partido que actualmente está no executivo da autarquia e não vi qualquer referência ao mar ou à xávega….)
3. aos participantes gostava de lembrar, sem os querer ensinar sobre o que quer que seja, que os bois que participaram na recriação não estão habituados a esta faina, pelo que violência gratuita sobre eles em nada beneficia a recriação e cria aversão, com razão, em muitos assistentes.
4. na torreira há 2 companhas, porque não juntá-las neste evento ou alternar, caso haja mais, a participação?
quanto às fotos que aqui deixo como testemunho daquilo a que assisti, representam aquilo que pude registar, uma vez que fui insultado e impedido de fotografar pelos dois donos da companha, antes da hora em que o evento se tornou público – tinha eu chegado com 1h30m de antecedência – e não autorizado a divulgação de fotos suas.
ficam assim, aqui, os registos possíveis e o agradecimento àquela murtoseira que se me dirigiu na praia e disse: “obrigado pelas suas fotografias, quando estamos tristes nos estados unidos e temos saudades da terra, vamos vê-las”. é também por eles que aqui estou.
nota: a sequência porque as fotos são apresentadas é a sequência natural dos acontecimentos: pôr o barco no mar, o ganhar do mar e o alar das calas
não me perguntem
que força tem a água
digo-vos apenas
que mar e ria
são os elos mais fortes
que os unem
solidariedade feita de água
salgada
de vidas amargas
de horas muitas sobre outra
espécie de terra
são sempre um
quando muitos necessários são
(há quem pareça ter acordado
de um longo sono
e qual bela adormecida
despertado seja pelo beijo das eleições
pense que eles não pensam
não sabem, não vêem
há quem prometa fazer o que não fez
quando era tempo de o ter feito
há quem ainda ainda engane alguns
durante algum tempo
mas são cada vez menos
porque todos
são sempre um
quando muitos necessários são)
conforme divulguei, neste blog, decorreu hoje, dia 22 de setembro, uma recriação de ” Arte Xávega com bois”, na praia da torreira.
sobre o evento falarei a seu tempo quando tiver seleccionado e editado as fotografias de que mais goste. dêmos tempo ao tempo.
no entanto, ainda hoje ao fim da tarde, já se levantava o boato de que os participantes na recriação teriam recebido 50 euros cada um.
pessoalmente acho que se é verdade não é drama nenhum – não há almoços grátis, escreveu alguém – acho até muito bem.
mas se é verdade, o que eu gostava de saber é quem pagou.
na altura em que foi levada a cabo, durante a campanha eleitoral autárquica, é evidente que mesmo sendo promovido pelo actual executivo, deve ser pago pelos dinheiros de que dispõe para a campanha o partido que exerce o poder na câmara da murtosa – o psd.
noutra altura, como em todo o lado, durante a época balnear, deveria ser a autarquia.
espero que, caso tenha havido pagamento aos participantes, tenha havido a sensatez de pagar com os fundos destinados à campanha do partido e não com os fundos da autarquia.
espero …..
mas seria bom que todos soubéssemos se houve pagamento e quem pagou
espero que para o ano haja mais e lá nos encontremos
tempos cinzentos estes
em que se espera que o pão
o de cada dia
chegue à mesa depois de um dia
de trabalho duro
ou sem trabalho
ou de mar ingrato
isto te ensinei meu filho
o caminho de areia
o caminho por onde o teu sorriso
o teu esforço para além do teu corpo
que do meu
tempos cinzentos estes
em que cada vez menos somos
quando mais nos disseram
que seríamos
saberão que somos
mais que números?
tempos cinzentos estes
por mais que nos prometam pomares
e sumo basto de laranja
ao pequeno almoço
(companha do marco; torreira; 2010)
“PRAIA DA TORREIRA VAI RECRIAR A XÁVEGA COM BOIS MARINHÕES
No próximo dia 22 de Setembro, por volta das 10.00h a Praia da Torreira vai acolher uma recriação da xávega com bois marinhões…”
assim se pode ler na página do município da murtosa, em notícia publicada no passado dia 11 de setembro, confirmando o informado na folha jornalística do concelho, do passado dia 31 de agosto.
muitos têm sido os pescadores e amantes da arte que me têm perguntado como é que se pode marcar um evento deste género, com tanta antecedência, ainda por cima nesta altura do ano. nem eu, nem nenhum dos questionadores teve resposta. apenas uma: não sabemos.
desde há alguns meses que se falava nesta intenção e sempre se pensou que fosse feita durante a época balnear, como em espinho, por exemplo, e no mês em que o mar é mais favorável – junho.
este ano até tivemos um agosto de mar excepcional. mas nada aconteceu.
por isso, a maioria pensou que não passava de boato e esqueceu o assunto, até que a notícia adquiriu a forma de cartaz, informação local e no espaço virtual do município.
fico feliz pela recriação que vai ser realizada, mas estou a fazer muita força para que o mar tenha sido ouvido e seja possível ao barco – todos pensamos que seja o olá s. paio – fazer-se ao mar, a recriação decorra em boas condições e que os assistentes locais, e os que cá venham de propósito, não dêem o tempo por perdido. já agora, não se sabe ainda o local exacto para a recriação, mas é na praia.
estará o mar “bom”? eu, e muitos arrais da costa, consultamos o site
http://www.windguru.cz/pt/index.php?sc=48947
e lemos duas informações: “período da vaga” e “ondulação”. como referência, a maioria dos arrais não se faz ao mar com períodos de vaga superiores a 7, vendo em seguida a “ondulação”. a informação é bastante fiável, mas não substitui o ir ao mar pelo romper do dia e confirmar. é assim.
espero, repito, que tudo corra de acordo com o desejado pela entidade promotora.
eu lá estarei, de máquina ao peito, a correr pela praia.
fica aqui o convite aos interessados.