postais da ria (121)


umbiguices

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a espera, o espelho, calma ria, calmaria

tenho do umbigo a noção
exacta da sua função
foi por ele que me alimentei
no ventre de minha mãe
nada mais

agora aí está melhor ou pior
desenhado na barriga
sem quaisquer funções
não perco por isso tempo
em contemplá-lo

a olhar para o umbigo
muito boa gente anda
no dizer afiado e simples
da sabedoria popular

sentam-se na sua vidinha
sabem todos os nomes
que abrem portas e janelas
não incomodam para
não serem incomodados

como eu os entendo
umbigo só há um
e agora a mãe é outra

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toda a beleza é pouca aqui

(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio, 2012)

crónicas da xávega (117)


as mortes da vida

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a teresa, a cacilda e a olívia (falecida)

os dias são imensos
plenos de areia e mar
sal suor mãos peixe

como se penas as escamas
fazem delas aves
poisadas na beira mar
debicando peixes

são as mulheres da torreira
que à torreira do sol
ganham o quinhão de pão

chamo-as pelo nome
e a olívia
responde-me da memória

a vida está cheia de mortes

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a teresa, a cacilda e a olívia (falecida)

(torreira; companha do marco; 2012)

postais da ria (119)


palavras para mim

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as palavras necessárias

livros eram três de histórias
para uma menina que nesse dia
seis anos breves fazia

a minha neta mais nova
a rosarinho

junto um postal em forma de flor
e palavras do avô

ao telefone
o livro de que gostei mais foi o da flor

porquê
quis saber

tinha palavras para mim

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há palavras à espera

(ria de aveiro; torreira)

biografia do língua, em coimbra


no âmbito das comemorações dos 725 anos da universidade de coimbra, decorreu no convento de s. francisco o congresso internacional “língua portuguesa: uma língua de futuro”.

no dia 4 de dezembro, logo após o encerramento do congresso, o ministro da cultura de cabo verde, mário lúcio de sousa, escritor/músico/poeta/criador, apresentou o seu último romance “biografia do língua”, vencedor do prémio literário miguel torga, cidade de coimbra. 2015.

do registo que fiz da apresentação, reproduzo somente a intervenção da editora, maria do rosário pedreira, e do autor que, no meu critério, me pareceram as mais significantes.

um amigo para os amigos


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o meu amigo do mar, para os meus amigos da terra

ontem em coimbra

tarde de sol aberto, temperatura amena, sábado, dezembro.

ontem em coimbra

o adelino castro e a carla, da lápis de memórias, abriram as portas a um amigo, para a apresentação de um livro de que não eram editores, deram o que tinham. num sábado à tarde, de sol aberto, em dezembro, com a  temperatura amena

ontem em coimbra

o diamantino e a ção vieram de aveiro, o diamantino fez a apresentação do livro, com uma palestra caminhando pelos trilhos do livro e do autor. num sábado à tarde, em dezembro, pleno de sol e temperatura amena.

ontem em coimbra

a teresa namorado, veio da figueira, o manuel marques embora achacado, veio e despediu-se que em casa era preciso, a mariana alface, o fernando (com o beijo da lena também), o antónio vilhena,  a isabel faria, a conceição ruivo; estiveram numa cave, com luz artificial, num dia pleno de sol, num sábado de dezembro, à tarde.

ontem em coimbra

foi bom saber que amigos tenho que trocaram o sol de dezembro, num sábado à tarde para estarem comigo na apresentação de “sou tudo o que aqui encontras”. foi bom encontrá-los porque eu também sou eles.

obrigado por serem

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o meu amigo agostinho trabalhito, pescador da torreira e de portugal

os moliceiros têm vela (167)


continuar

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“andar à vara”

o que resta de mim
é o haver ainda
uma flor por nascer
outras que pouco vejo
mas sinto minhas

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

agarro-me às raízes
enterradas fundo no mar
ao moliço da ria antiga
vara espetada no lodo dos dias
empurrando um casco velho

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

reinvento-me para continuar

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tanta arte quanto à vela

(torreira; regata do s. paio; 2010)