à conversa com mestre firmino tavares


dos mestres
na precisão do gesto
a mão o instrumento
o mestre

saberes herdados
na escrita dos dias
trabalhados

vai-se o mestre
fica a obra
diziam

já pouca obra
enquanto nenhuma
digo

é este o meu tempo

(torreira; 2015)

DSC_9047 bw

mestre firmino tavares a trabalhar com o formão na construção do moliceiro marco silva

 

ser mestre, não é só o que hoje se diz dos que obtiveram numa universidade esse grau, é coisa muito mais antiga. de saberes de artes e ofícios, de aprendizagens de anos, de carreiras feitas sob a orientação de um “mestre”, até se atingir a qualidade e a perfeição de execução que aos mestres são exigíveis.

não é tradição dos países do sul da europa este tipo de formação e aquisição de saberes e títulos, que remontam à idade média, mas que se continuam a utilizar em muitos países europeus, começando na frança, o país mais a sul. as antigas escolas industriais preenchiam, entre nós, esta função e nelas se formavam operários especializados que recebiam ensinamentos práticos dos “mestres de oficina”.

enfim, toda uma conversa que haveria/haverá que fazer sobre este tema, mas o que agora e aqui importa é ouver “mestre” firmino tavares, último de uma família de mestres construtores navais de pardilhó, e aprender com ele o como foi, o prazer de ter sido e de ensinar a fazer, fazendo.

falar com o mestre são lições de vida que não me canso de receber. espero que depois de ouvir este breve apontamento, sem pretensões, fiquem mais ricos, como eu fiquei

 

 

 

o meu amigo rui


ao pescador da torreira

ahcravo_DSC_8777_rui_bw

reparar as redes da solheira

far-te-ás no tempo
desfazendo o que de ti
fizeram
afirmar-te-ás negando
que todo o fim
é negação de início

seres tu é tarefa
em que não podes estar só
a companhia surgirá quando
de velhas companhias livre fores

és mestre do incerto
senhor do saber esperar
por isso te digo

não
não tens o que mereces
nem ninguém te oferecerá
o teu futuro

ahcravo_DSC_8777_rui

as horas que fazem o dia são poucas

(torreira, porto de abrigo dos pescadores)

crónicas da xávega (119)


prefiro a carne ao peixe

ahcravo_DSC_4296 bw

a compnha espera

aqui longe sei que
é esta a gente que se ajoelha
perante um deus invisível
e não se curva diante do mar

a névoa cobriu tudo e adivinhar
o mar não é arte é loucura
nestes momentos oiço-os dizer

prefiro a carne ao peixe

ahcravo_DSC_4296

como se inverno em agosto

(torreira; companha do marco; 2014)

 

desobedecer à união europeia


“Foi bom desobedecer. É bom desobedecer. Principalmente quando nos querem impor pobreza, austeridade, autoritarismo e humilhação. O debate do livro do Pureza, Desobedecer à União europeia, abre todas as possibilidades de luta e de desobediência que só encontramos no prazer da revolta. Continuamos a dizer: desobedecer é bom.”
antónio luís catarino, editor da “deriva”

DSC_5553

há questões que não são de direita, nem de esquerda, são apenas de bom senso e entendimento.

tudo passa pela sua explicação simples e completa, por alguém a quem elas não são estranhas, porque as estudaram e analisaram com todos os dados que, raramente, são do conhecimento público – nosso.

o livro “Desobedecer à União Europeia” da autoria de josé manuel pureza, apresentado pelo editor, antónio luís catarino, comentado pelo professor doutor jorge bateira, faculdade de economia da universidade de coimbra, e uma síntese pelo autor, permite-nos, depois de uma audição atenta e descomprometida, dos 3 clips que se seguem, entender muito do que anda por aí desentendido.

 

clip 1 – apresentação do editor e primeira parte do comentário

 

 

clip 2 – conclusão do comentário do professor jorge bateira

 

 

clip 3 – síntese do autor