aparelhar


dentro do barco as mangas

dentro do barco a manga da mão de barca, no fundo

no aparelhar, a disposição do aparelho no barco é fundamental para que o “largar”, durante o lanço, decorra sem problemas.

a sequência de largar é: cala do reçoeiro; manga do reçoeiro; saco; manda da mão de barca; cala da mão de barca.

neste registo é a “manga da mão de barca” que entra no barco, seguir-se-á o “saco” que será amarrado à bica da ré e irá assentar na “cala da mão de barca”, que já está por debaixo do traste e à meia proa do barco, depois a “manga do reçoeiro” e, finalmente, a “cala do reçoeiro” sobre todo o conjunto.

aqui, um espreitar para o por dentro.

 

(companha do marco; torreira; 2010)

ainda


 

torreira, marina dos pescadores

torreira, marina dos pescadores

 

o cansaço

pendurado do corpo

no peso de ser ainda

o suporte desta coisa de pensar

 

lentos os movimentos

procuram ser mais do que

todo o tempo é leve

e pesa como séculos

 

um homem

corre contra

lento

quase não

 

nunca desistente

o resistir

mais forte que o corpo

 

cansam-me os olhos

de ver 

pancada de mar


torreira, 2013

torreira, 2013

 
as fotos mais “espectaculares” da xávega são as que registam o embate do barco com a vaga.

para captar esses momentos é preciso conhecer o tipo de declive da costa, usar lentes adequadas e escolher o ângulo máquina/barco.

no caso da torreira a costa tem uma configuração que os pescadores definem da seguinte forma: praia, lago, cabeço, largo.

os embates podem-se dar ao largar, no lago, ou no cabeço. quando o mar permite, o arrais aproveita o “liso” para largar e depois vai “galeando” no lago, até encontrar outro liso no cabeço e ganhar o largo.

a minha experiência, diz-me que tenho de estar preparado para que o embate com a onda se dê em qualquer dos dois locais, por isso a minha objectiva preferida é uma tele 18/270m que me permite com uma só máquina, cobrir as duas situações.

claro que para registar um embate no cabeço seria ideal ter uma tele superior a 300mm, mas isso implica ter mais uma máquina, o que nem sempre dá jeito: dentro de água, com duas máquinas ao pescoço …..

este registo foi feito com a tele no máximo e num cabeço muito mais afastado que o habitual.

são sugestões, nada mais do que isso. sugestões, com muita água pela cintura ….

de mim


 

ahcravo_DSC_2156_gaivota ria

 

dos caminhos andados

aprendi a dizer o que penso

a não querer estar de bem com todos

se comigo de bem não estiver

(fácil seria não ser como sou para maioria ser)

 

quem quer estar de bem com deus

e com diabo

vai para o inferno pela mão

de deus

(isso digo há muito)

 

dos caminhos andados

aprendi que a verdade calada

vale menos que a mentira apregoada

 

estar vivo

não é deixar estar

é ser aqui

de olhos abertos

ouvidos atentos

e palavra pronta

 

incómodo

certamente

incomodo 

marco silva


marco silva, arrais da companha

marco silva, arrais da companha

enquanto os aladores trabalham e vão trazendo a rede para terra vai-se controlando a posição dos arinques – bóias amarradas aos calões e que os sinalizam – têm de vir alinhados e paralelos à costa e a calime – bóia do topo do saco – no centro dos dois.

para que tal aconteça os homens no comando dos aladores estão em contacto permanente para controlar o andamento do alar.

hoje usam-se walkie talkies, mas eram os gritos, os sinais com bonés ou assobios que chamavam a atenção para o andamento a corrigir.

este é um dos momentos cruciais da pesca, que dura mais de 1h30m, e em que se pode deitar o lanço a perder: arinques desalinhados é peixe a fugir do cerco.

(companha do marco; torreira; 2010)

o dia a seguir


o sonho não morre, voa sempre

o sonho não morre, voa sempre

não, não é o dia de dar os parabéns ao vencedor é, sim, o dia de abraçar os que acreditaram que era possível fazer diferente, por isso deram o rosto e, mais que ele, se deram por completo a uma disputa eleitoral de resultado incerto e de ganho pouco provável.

aos vencedores basta-lhes a vitória.

não foram os cargos que me moveram, foram as causas: melhores condições de trabalho para os pescadores da ria e do mar, sem nunca esquecer os moliceiros.

há mais de 40 anos na vida política activa, nunca me tinha candidatado a qualquer cargo, e se agora o fiz foi porque fui convidado por um homem bom, o jorge bacelar, e porque, do que conheço da realidade dos pescadores da torreira, pensei que poderia ser útil na construção de algo que fosse ao encontro dos seus desejos.

a amizade que existe entre mim e muitos dos pescadores da torreira, permitiu-me, durante a campanha, não só conversar com eles de forma franca e aberta, independentemente das inclinações partidárias, mas também deixar claro que as opções diferentes não interferiam nela.

aos que acreditaram e fizeram por isso, o meu abraço, aos que embora acreditando, votaram noutras listas, acreditem que estarei sempre convosco no que precisarem.

a vida continua, é o tempo que julga os homens e não o contrário.

cravo

henrique rodrigues “pardilhoeiro”


henrique rodrigues "pardilhoeiro"

henrique rodrigues “pardilhoeiro”

 

o amigo que nos levou, no ano passado e neste ano, na sua bateira, para o meio da ria, para o meio das regatas.

de tão habituado está já aos nossos pedidos que os antecipa e leva a bateira, para as posições que permitem obter os melhores ângulos. as boas fotos também dependem de quem nos leva.

 

abraço henrique