ouves-te
e no ouvires-te queres-te
palavras tuas para ti
para te sentires ainda
aqui por mais
a esperança alimenta-se
de sons
das palavras ditas
a poesia é isso também
dizer o sonho
o desejo
onde já nada mais
para além de
sei-te
ser quase nada
para quase tudo
e
quase tudo
para quase nada
o meu nome
são vários
e um só
pensionista
reformado
funcionário público
para mim tudo
é
transitório
em trânsito para definitivo
queria dizer-te
outras coisas deste país
mas os coelhos comeram as flores
um dia virá
e será breve
em que almoçaremos coelho
para ter o prazer de o vomitar
a seguir à manga da mão de barca, como já se disse, é aparelhado o saco.
por vezes, quando a rede é colocada sobre a zorra, depois de seca, o saco não fica na posição correcta e é necessário, ao aparelhar inverter a posição – em vez de estar virado à ré, ficou virado à proa.
(torreira; companha do marco; 2010)
em cima da zorra, seca e quase sem areia, a rede, que será disposta do lado da ré do barco
por cima a manga da mão de barca, vê-se em torno da zorra o saco, e por baixo a manga do reçoeiro.
enquanto um dos membros da companha vai levantando as redes, os restantes “abrem” e desemaranham as malhas.
trabalho pesado e com muita arte, como tudo o que se quer bem feito
(torreira; companha do marco; 2010)
a apanha de bivalves na ria de aveiro é, nos últimos tempos, o ganha pão dos pescadores.
a enguia quase não existe, o choco este ano rareou, o linguado pouco é.
restam os bivalves….
análises pagas pelos pescadores num laboratório espanhol de referência, contraditam a interdição imposta pelas análises feitas pela entidade nacional de referência, o IPMA, e dizem que não há qualquer perigo no consumo dos bivalves. os bivalves apanhados na ria de aveiro destinam-se quase em exclusivo ao mercado espanhol.
no meio deste desencontro de resultados quem não sobrevive são os pescadores.
o vídeo da “Ribeirinhas TV”, com entrevistas a pescadores é elucidativo