do safar ao alar


e vieram alguns linguados, poucos; 2010

entre o largar a rede, mal a maré começa a encher, e o alar do aparelho, não chega por vezes a uma hora.

é preciso que a maré não “corra” muito, arrastando limos e algas de encontro às malhas, tapando-as e impedindo o peixe emalhar.
assim esta pescaria, de surpresa com o trovão, foi coisa de pouco tempo. largámos, parámos a bateira por um bocado, e quando a água começou a correr muito, vá de alar.

ainda vieram uns linguados, não sei se meia dúzia, mas é o que ria estava a dar.

(ria de aveiro – canal de ovar – com o alberto trabalhito (trovão)

tão leve a partida?


 

vou com o vento
com ele cheguei
só há partida se

entendo agora
o que dizem das gaivotas:
não tenho peso
flutuo

todas as praias
são a minha praia
todos os mares
são o meu amar

parto e fico
e reparto-me
no ser assim
por caminhar ainda
onde já muitos

calçaram pantufas