filhos da terra


 


habitam o silêncio
com a naturalidade das flores
por debaixo do sol

são

abrem caminhos que nunca
percorrerão
fazedores de tanto
com pouco se sabem por aí

deles dizem
“o país profundo”
sem eles pergunto-vos:
que país?
que mundo?

uma nota breve
no jornal da terra
tarja negra
uma sineta pelas ruas
um nome a quem pergunta
isso são

até lá
bebem o sol
habitam o silêncio

Poema de ahcravo

a gente da nossa terra


um vídeo de Jorge Bacelar a que emprestei palavras

paridos do ventre
da terra
cresceram com os animais
o milho e as couves
são irmãos de todos
que a todos amam

os pés-raízes
bebem na mãe as forças
com que vencem
as surpresas adversas da natureza
e a perversidade do mundo
onde vigoram valores que lhes são estranhos

cansados desgastados
pelo tempo e a vida dura
acordam o dia e os galos da capoeira
que lhes matarão a fome em dias de festa
ou domingos de descanso por inventar

a terra os viu nascer
a terra os virá colher
a terra-mãe
a terra-mulher

Poema de ahcravo