a minha gente


 

vêm de longe
de onde a fronteira entre luz
e sombra
era ainda o princípio de tudo
de ti de mim de nós
como se parados no tempo
são o próprio tempo
esperando ser mais tempo ainda

vê-los é entrar em casa
sem nunca ter saído
as manhãs são aqui infinitas
têm a dimensão da memória
aconchegada no regaço
da mãe-terra

vêm de longe
permanecerão para sempre
são a minha gente

 

para ver:

 

 

parceria jorge bacelar (vídeo e fotos)/ahcravo (palavras)

lembro-me de ser assim


 

 

lembro-me de ser assim…

“cumpria-se a terra
depois de agosto
nas eiras plenas de oiro
as desfolhadas

gentes de casa
em casa
o ritual da partilha
dos braços

em coro e ao desafio
a festa
em cantares de antes do milho
mãos
ágeis e sábias desfolhavam maçarocas

vermelha a maçaroca sorria
milho rei
o beijo pedido
celebrava ele também
o reiniciar da vida”