o falecido arrais zé murta amarra a muleta à bica da ré, do barco olá s. pedro
torreira; 2009
mais uma vez o mar foi vencido.
vê-se à ré, a estibordo, o reçoeiro a sair do barco, agora será a sorte a decidir se as redes virão cheias de peixe ou de muita pouca coisa.
uma e outra vez o s. pedro se fará ao mar e, a cada lanço, o arrais mostrará como ganhar estas batalhas diárias e como é merecedor da confiança da companha.
nestes registos ainda era vivo o arrais zé murta e é ele que se vê no castelo da ré.
(torreira; 2009)
sucedem-se as ondas com frequências variáveis, 3,5,7, 9 …… entre cada sequência um momento breve de intervalo: o liso.
como me contou o arrais russo da cova gala, com frequências superiores a 7, dificilmente o barco se faz ao mar, pois o liso não é suficiente para o barco furar a barreira de mar.
é esta a primeira leitura que o arrais faz quando, noite ainda, assoma à duna e ouve o mar, ao ouvir lê-o e só um bom arrais sabe ler o que o mar escreve no ser das ondas.
(torreira; 2009)
este é o primeiro registo de uma série que acompanha o barco a vencer o mar, depois de ter sido antecedida por todos os preparativos, para que tudo ocorresse no momento certo e nas melhores condições de segurança.
nos castelo da ré o falecido arrais zé murta, vai controlando o andamento do reçoeiro, travando-o, ou libertado-o, de acordo com o mar a vencer
(torreira; 2009)