ti antónio neto


ti antónio neto

ti antónio neto

 

 

foi tempo, ti antónio

mais um verão

em que demos os sorrisos

palavras poucas

mar tanto

peixe algum

 

foi tempo, ti antónio

cerra-se agora a névoa

sobre a praia

e só a memória tudo aclara

 

foi tempo, ti antónio

guardo ainda o abano de penas de gaivota

feito em dias de menos mar

pendurado na corda da roupa

à espera de quem passe e queira comprar

 

guardo mais, ti antónio

guardo um sorriso de criança

nuns olhos azuis

perdidos sempre mais além

 

além onde você agora

ti antónio

além ao pé de nós

 

 

(torreira; companha do marco; 2009)

olá s. pedro


olá s.pedro

olá s.pedro

 

2005 foi o último ano de funcionamento da companha do manel dias, na torreira, que abriu falência no final da safra.

o s. pedro ficou em terra, no extremo sul da praia, junto ao final da estrada. ali permaneceu até que o falecido arrais zé murta o adquiriu, reparou e rebaptizou com o nome de “olá s. pedro”, dando assim alguma sequência ao “olá sam paio” de que era dono.

2009 foi o primeiro ano em que o “olá s. pedro”, recuperado pelo mestre felisberto, se fez ao mar com o seu novo dono.

mais tarde – ainda em 2009, segundo maria murta – e ainda em vida de zé murta, foi vendido a uma companha do pedrógão, onde ainda trabalha.

 

arribar do olá sam paio


 

 

 

manel caravela e antónio sabonete

manel caravela e antónio sabonete

os ganchos vão ser engatados nos arganéis para que o barco comece a ser puxado pelo tractor.

os movimentos têm de ser rápidos e precisos, qualquer descuido, qualquer movimento do barco provocado pela corrente de norte ou por uma onda traiçoeira, pode apanhar os homens e não seria a primeira vez que pernas seriam esmagadas.

tudo aqui é vivido ao momento