de mim


 

ahcravo_DSC_2156_gaivota ria

 

dos caminhos andados

aprendi a dizer o que penso

a não querer estar de bem com todos

se comigo de bem não estiver

(fácil seria não ser como sou para maioria ser)

 

quem quer estar de bem com deus

e com diabo

vai para o inferno pela mão

de deus

(isso digo há muito)

 

dos caminhos andados

aprendi que a verdade calada

vale menos que a mentira apregoada

 

estar vivo

não é deixar estar

é ser aqui

de olhos abertos

ouvidos atentos

e palavra pronta

 

incómodo

certamente

incomodo 

marco silva


marco silva, arrais da companha

marco silva, arrais da companha

enquanto os aladores trabalham e vão trazendo a rede para terra vai-se controlando a posição dos arinques – bóias amarradas aos calões e que os sinalizam – têm de vir alinhados e paralelos à costa e a calime – bóia do topo do saco – no centro dos dois.

para que tal aconteça os homens no comando dos aladores estão em contacto permanente para controlar o andamento do alar.

hoje usam-se walkie talkies, mas eram os gritos, os sinais com bonés ou assobios que chamavam a atenção para o andamento a corrigir.

este é um dos momentos cruciais da pesca, que dura mais de 1h30m, e em que se pode deitar o lanço a perder: arinques desalinhados é peixe a fugir do cerco.

(companha do marco; torreira; 2010)

o dia a seguir


o sonho não morre, voa sempre

o sonho não morre, voa sempre

não, não é o dia de dar os parabéns ao vencedor é, sim, o dia de abraçar os que acreditaram que era possível fazer diferente, por isso deram o rosto e, mais que ele, se deram por completo a uma disputa eleitoral de resultado incerto e de ganho pouco provável.

aos vencedores basta-lhes a vitória.

não foram os cargos que me moveram, foram as causas: melhores condições de trabalho para os pescadores da ria e do mar, sem nunca esquecer os moliceiros.

há mais de 40 anos na vida política activa, nunca me tinha candidatado a qualquer cargo, e se agora o fiz foi porque fui convidado por um homem bom, o jorge bacelar, e porque, do que conheço da realidade dos pescadores da torreira, pensei que poderia ser útil na construção de algo que fosse ao encontro dos seus desejos.

a amizade que existe entre mim e muitos dos pescadores da torreira, permitiu-me, durante a campanha, não só conversar com eles de forma franca e aberta, independentemente das inclinações partidárias, mas também deixar claro que as opções diferentes não interferiam nela.

aos que acreditaram e fizeram por isso, o meu abraço, aos que embora acreditando, votaram noutras listas, acreditem que estarei sempre convosco no que precisarem.

a vida continua, é o tempo que julga os homens e não o contrário.

cravo

henrique rodrigues “pardilhoeiro”


henrique rodrigues "pardilhoeiro"

henrique rodrigues “pardilhoeiro”

 

o amigo que nos levou, no ano passado e neste ano, na sua bateira, para o meio da ria, para o meio das regatas.

de tão habituado está já aos nossos pedidos que os antecipa e leva a bateira, para as posições que permitem obter os melhores ângulos. as boas fotos também dependem de quem nos leva.

 

abraço henrique

nicole e ti miguel bitaolra


nicole (falecido) e ti miguel bitaolra

nicole (falecido) e ti miguel bitaolra

voa o peixe
das mãos dos homens
irmãos nesta lide de mar
nesta safra rala de pão

as mãos
sempre as mãos
tudo decidem
depois de pensado o destino
feita a escolha

que importa a ucrânia
tão longe
a torreira
aqui já

o mar todos une
e o que já partiu
habita no que ainda por cá
em cada escama
de cada dia

falo dos amigos
e das teias que xávega tece

(companha do marco; torreira; 2010)

as tuas mãos


 

ahcravo_DSC_0963_mãos marco

será ainda tempo de

as mãos

nos dizerem mais de

ti

da tua arte

dos teus saberes

 

estarás sempre a tempo de

com as tuas mãos

construir o teu caminho

o caminho onde tu serás mais tu

por seres

 

escrevo-te

e é com mãos que o faço

as mesmas mãos

mas sem arte

sem jeito

para esses fazeres que me são estranhos

 

escrevo-te porque

quero que as tuas mãos

sejam somente tuas

aqui

onde as nossas se dão