pancada de mar


à muleta todos os que em terra

à muleta todos os que em terra

 

a espera e os primeiros embates (6)

 

aos remos os homens, dentro do barco, procuram ganhar ao mar. o motor não “cala”.

à muleta, ainda presa à ré do barco; à muleta que serviu para o lançar no mar; à muleta homens e mulheres, à mão, à força de braços e pernas, sustêm o barco e mantêm-no em posição.

há tantas formas de remar, que só quem anda no mar as sabe……

 

(torreira; companha do marco; 2010)

há dias assim


praia de buarcos

praia de buarcos

 

há dias assim

sem palavras

sem assunto

dias de deixar tudo ir ver o mar

e não querer escrever nem pensar

 

há dias assim

em que o silêncio é enorme

engole tudo e

as palavras?

onde estão as palavras?

 

sequer fica uma página em branco

nem a desculpa gasta de não haver material

o material está aqui desmaterializado

na não escrita desta escrevedura

 

há dias assim

que queres

hoje não escrevo

ponto final

mãe ria


remoçado o veterano, ti zé rebeço

remoçado o veterano, ti zé rebeço

 

ao rés da água

a beleza sorri líquida

os homens são ainda

a continuação de

o regresso ao ter sido

 

velas erguidas desafiam o vento

e a sabedoria de quem

 

de todos os cantos do concelho

onde bateiras ainda

 

a festa renova-se no bolinar

desafiante

 

a ria sorri de plena

mãe renovada

de filhos sempre moços

 

para ler com o filme de Jorge Bacelar