queria dizer muito
mas nunca seria tudo
porque não há palavras
nunca haverá
ontem
ela fez 89 anos
há 2 meses foi ele
que os fez
os meus pais
se a taxa de irs subir
se o iva aumentar
a mim cidadão
diz o governo que
aumentam os impostos
se se cortam as pensões
se se cortam os ordenados dos funcionários públicos
se se corta o subsídio de desemprego
se se diminuem as prestações sociais
a mim cidadão
diz o governo que
diminui a despesa
entre o aumento
e a tal da diminuição
verdade seja dita
que
quem se lixa sempre
sou eu cidadão
(isto não é um poema, é uma foto: o retrato da relação sexual entre o governo e o cidadão)
a espera e os primeiros embates (9)
o barco está seguro em terra, não em seco.
quebrado o remo, sobram homens no barco. faltam na muleta.
os homens subtraem-se no barco para se somarem na muleta.
a muleta é outro remo.
é o braço de todos no barco
(torreira; companha do marco; 2010)
a espera e os primeiros embates (8)
quebrado o remo o mar quebra sobre o barco. devorá-lo se pudesse o faria.
os homens resguardam-se esperam, há camaradas em terra por eles
não quebram, que de madeira não são. vãs glórias porém não põem o pão na mesa.
recuar para avançar de novo e ser assim sempre é arte que nesta arte não é para todos.
não será ainda. mas será logo
(torreira; companha do marco; 2010)