eu cidadão


 

cidadão

cidadão

 

se a taxa de irs subir

se o iva aumentar

 

a mim cidadão

diz o governo que

aumentam os impostos

 

se se cortam as pensões

se se cortam os ordenados dos funcionários públicos

se se corta o subsídio de desemprego

se se diminuem as prestações sociais

 

a mim cidadão

diz o governo que

diminui a despesa

 

entre o aumento

e a tal da diminuição

verdade seja dita

que

quem se lixa sempre

sou eu cidadão

 

(isto não é um poema, é uma foto: o retrato da relação sexual entre o governo e o cidadão)

pancada de mar


 

do remo que já foi

do remo que já foi

 

a espera e os primeiros embates (8)

 

quebrado o remo o mar quebra sobre o barco. devorá-lo se pudesse o faria.

os homens resguardam-se esperam, há camaradas em terra por eles

não quebram, que de madeira não são. vãs glórias porém não põem o pão na mesa.

recuar para avançar de novo e ser assim sempre é arte que nesta arte não é para todos.

não será ainda. mas será logo

 

(torreira; companha do marco; 2010)