crónicas da xávega, torreira (16)


 

 

escolha do peixe

escolha do peixe

 
fossem de trabalho as mãos

 
entram e saem
compram vendem
vendem-nos
ganham muito sempre
astronómicas somas
pequeno o défice para tanto
para tão poucos

hoje eu
amanhã tu
sempre a famílias
os amigos
compadres
comparsas
comendo na mesa farta
revezam-se

fossem de trabalho os dias
seriam menos os que
de poleiro cantariam
de saber
que o que gastam e malbaratam
teriam de pagar

haja dinheiro basto
que advogados e padrinhos
não faltarão

a banca de novo

 
(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (2)


 

 

manuel augusto (necas lameirão)

manuel augusto (necas lameirão)

pinturas dos painéis

 

característica muito própria dos moliceiros, são as pinturas feitas nos painéis da ré e da proa.

como já escrevi antes um dos objectivos das regatas da ria é, não só, a manutenção dos moliceiros mas, fundamentalmente, a renovação das pinturas.

habitualmente quase todos os moliceiros, vêem as pinturas renovadas por altura das regatas.

para isso os prémios de presença, eram divididos em duas fatias:

– participação
– pintura

este ano, para além da desorganização, havia somente prémio de participação que, embora tenha tido um  valor praticamente igual ao valor global anteriormente atribuído, não premiava especificamente a pintura.

os painéis só eram valorados em termos de concurso final.

desorganização e estrutura do apoio levaram a que só dois moliceiros da classe A (mais de 13 metros) tenham sido pintados a tempo:

– A. Rendeiro
– Zé Rito

o moliceiro “Dos Netos” ficou com as pinturas por concluir

neste registo o pai do pintor Zé Oliveira, Manuel Augusto (Necas Lameirão) pinta um dos painéis da proa do moliceiro “Zé Rito”

 

(ria de aveiro; torreira; estaleiro do mestre Zé Rito)