crónicas da xávega, torreira (17)


 

caminhos de areia

caminhos de areia

porque amavam o mar

 

há poucos dias
30 de junho para ser preciso
o poeta joaquim namorado
faria cem anos se vivo
hoje passam dez anos
sobre a morte de sophia

os poetas
os grandes poetas
vão crescendo na memória

o pulsar a vida
em cada verso
o sentir de um povo
em cada poema
serem de carne e sangue
as palavras
o seu legado

estar aqui ainda
é serem eles em nós

a voz necessária

 

(torreira; companha do marco; jun, 2014)

regata da ria 2014 (3)


 

 

o "a. rendeiro" ultrapassa o "dos netos"

o “a. rendeiro” ultrapassa o “dos netos”

 

“NÃO MATEM OS MOLICEIROS”

 

já perto de s. jacinto, o moliceiro do ti zé rebeço, ultrapassa o do ti abílio carteirista.

desde o protesto de 2012, por não ter havido regata, que o ti abílio mantém a tarja “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”, no seu barco.

há mensagens que é preciso manter vivas e esta é muito forte, actual e necessária.

lembrem-se dela os que hoje se limitam a fotografar ou a descrever as regatas.

os moliceiros são homens e barcos, são seres vivos que precisam não só de olhos, mas de braços e mãos, de vozes e sentires, que se unam na sua defesa e preservação.

seja cada um de nós um moliceiro a dizer: assim não! queremos mais e melhor das entidades que mandam directamente nesta região, que são responsáveis pela cultura deste povo.

o ti abílio acabaria a regata em segundo lugar, aos 78 anos de idade, registem bem: aos 78 anos de idade.

será que não merece o nosso respeito esta geração que começou a vida “ao moliço”, na ria e que até ao fim da vida continua a fundir-se com o seu barco?

o ti abílio, fez a sua vida na alemanha, lá deixou a descendência, mas é na ria, a bordo de um moliceiro que se sente vivo.

até quando?

 

(ria de aveiro; 28, jun, 2014)