postais da ria (101)


haja uma pedra

toda a beleza num fragmento de tempo

toda a beleza num fragmento de tempo

é tarde para deixar de ser
os rios não voltam à nascente
nem me arrependo de ter nascido

sou o que cada dia descobre
o inesperado vindo do imprevisto
e não o somos todos?

na teia urdida por mãos hábeis
a arte é fazer crer que a vítima é outra
quando a aranha mata os pais

o mundo é cada vez mais dos répteis bífidos
fracos imitadores de animais sangue quente

haja uma pedra

sem elas a ria é um pântano

sem elas a ria é um pântano

(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2012)