postais da minha coimbra_20


sobre coimbra
os olhos deitam-se
e sonham o terem sido
do outro lado da rua
tem havido sempre um outro lado da rua
o sol ilumina as casas
aquece-as
as mãos buscam-no
quase o agarram
de tão próximas

do outro lado de muito mais ruas
sombrios os becos
onde se morde a fome
nas sobras de ontem
de outrem

frio medo revolta
medo revolta frio
revolta frio medo
por dentro

há sol do outro lado da rua
roubaram-no

(coimbra; r. visconde da luz)

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