estória da ria


 

jim

jim

esgota-se o gesto

no movimento
suspende-se a mão
no instante

a voz
queda-se por onde
os amigos
quem passa

quem sabe
das horas a
largar
alar
safar
arrumar?

feitas
as contas
a paga
não chega
para

partes e
são de mar
do alto
os dias de pão
que trarás
que comerão

(ria de aveiro; torreira; porto de abrigo)

não digas nada


o lançar da cabrita

o lançar da cabrita

 

não digas nada

queda-te onde

olha apenas

sente tudo

sente

 

o silêncio

por dentro

enche-se de

palavras

que

nunca dirás

porque nada dirão

do que viste

 

depois parte

não digas o como

não o saberás

diz que venham

tão só isso

 

não digas nada

 

(ria de aveiro; torreira; cabrita alta)

do ficcionado (des)equilíbrio


o meu amigos salvador belo, cuja posição me inspirou

o meu amigo salvador belo, cuja posição me inspirou

 

 

a tua casa
a tua vida
o teu lugar onde
és o que
o teu contexto
de sobrevivência

 

quanto custa seres
aqui?
o que és se aqui
não for?

 

sobreviver
não é subservir

 

o homem
é ele e a sua palavra
onde quer que
desconhece outra geografia
que não a do que pensa

 

a verdade não é localizável
no mapa dos interesses locais
é
mesmo que a sonegues
ou
propositadamente a ignores

 

partiu-se um vidro na janela
era o teu nome

 

 

 

é urgente


torreira, porto de abrigo

torreira, porto de abrigo

 

inventar um país

para este povo

o que ergue a bandeira

mesmo se longe

o que deu o sangue

mesmo se errado

o que se deu todo

e se sente enganado

 

inventar um país

não é

destruir um povo

 

inventar um país

é ter de

se necessário

recomeçar de novo

 

é urgente

 

(torreira; porto de abrigo)