são um
são sempre um
mesmo quando
dois são
gente da ria
(ria de aveiro; torreira; cabrita baixa)
esgota-se o gesto
no movimento
suspende-se a mão
no instante
a voz
queda-se por onde
os amigos
quem passa
quem sabe
das horas a
largar
alar
safar
arrumar?
feitas
as contas
a paga
não chega
para
partes e
são de mar
do alto
os dias de pão
que trarás
que comerão
(ria de aveiro; torreira; porto de abrigo)
a tua casa
a tua vida
o teu lugar onde
és o que
o teu contexto
de sobrevivência
quanto custa seres
aqui?
o que és se aqui
não for?
sobreviver
não é subservir
o homem
é ele e a sua palavra
onde quer que
desconhece outra geografia
que não a do que pensa
a verdade não é localizável
no mapa dos interesses locais
é
mesmo que a sonegues
ou
propositadamente a ignores
partiu-se um vidro na janela
era o teu nome
inventar um país
para este povo
o que ergue a bandeira
mesmo se longe
o que deu o sangue
mesmo se errado
o que se deu todo
e se sente enganado
inventar um país
não é
destruir um povo
inventar um país
é ter de
se necessário
recomeçar de novo
é urgente
(torreira; porto de abrigo)