a riqueza da ria tem variado ao longo do tempo: o sal, o peixe – nomeadamente as enguias-, o moliço, os bivalves.
nos últimos anos com o quase desaparecimento das enguias, o escassear do choco, do linguado e da solha, têm sido os bivalves a matar a fome das gentes da ria e arredores.
a ameijoa, chamada “japónica”, que se tem reproduzido de forma surpreendente, é a espécie mais apanhada.
os preços por que são comprados pelo revendedor, que tudo decide – quando, quanto e por quanto -, ainda vão dando para que as famílias sobrevivam nestes tempos de crise.
muitos são os que do desemprego transitam para a ria.
as licenças de mariscador, atribuídas a bateiras, estão congeladas motivando um aumento do preço de venda de bateiras com licença.
a cabrita baixa, apesar de dura, é a arte onde homens e mulheres povoam literalmente a ria, desde o instante que a “vara de apalpar” mostra que a água já chega só até ao peito, com a maré a vazar, até que seja apanhada a “encomenda” ou a enchente impeça que se continue a apanha.
isto claro nas zonas e nas épocas permitidas pelas autoridades.
não sei
como
fugir
deste ser
aqui
agora
as palavras
por dentro
do dia
o dia
por dentro
das palavras
entrançados
amor
desejo
metáforas
carícias
veniais coisas
vãs
exercício
sempre
ao lado
não sei
como
não dizer
aqui
agora
BASTA
o peso
é
insuportável
sem
o grito
sobre este tema foi elaborado o seguinte projecto:
– uma descrição da arte: aparelho e modo de proceder
– um fotofilme genérico
– 6 documentários de pormenor
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descritivo:
a arte da cabrita baixa é utilizada para a apanha de bivalves (neste caso amêijoa japónica) de modo apeado. nela participam homens, mulheres e adolescentes.
a apanha faz-se na vazante, logo que haja calado para trabalhar, até que o mesmo se perca, já na enchente.
o aparelho é constituído por:
– haste: em eucalipto de cerca de 2 metros
– cabrita: semi-circunferência em ferro, em média com 30 dentes de 6 cm
– redenho: com malha de 35mm e comprimento variável, de 1m a 1,5m
– bóia: presa no topo do redenho
– tirante: normalmente em rede de nylon grossa, ata à cintura e prende na base da haste, é nele que grande parte do esforço assenta.
– peso: cilindro de aço ou ferro, de 5kg a 10 kg, fixado na base da haste, junto à cabrita
(peso total do aparelho: 10 a 15 kg)
acessório
vara de apalpar: com altura variável (normalmente um pouco mais de 2 metros), serve para o pescador ir vendo altura da água e comparar com a sua, ficando assim a saber, no caso de decidir iniciar a faina “por onde lhe irá dar a água”.
o cabritar:
a cabrita é atirada à ria e com o peso que tem enterra-se no fundo, depois é arrastada com movimentos de cintura enquanto os braços a mantêm o mais fundo possível.
podemos distinguir os seguintes momentos na faina:
– arrastar
– ver e lavar o redenho na ria
– levar a cabrita até à bateira, se tiver apanhado o suficiente
– deitar a cabrita na bateira, com o redenho na água
– fazer a última lavagem de limpeza na ria
– descarregar o redenho na bateira
é uma arte muito dura e que provoca problemas nos músculos dos braços – no cotovelo formam-se bolas de músculo,
muito dolorosas.
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fotofilme: cabrita baixa, torreira 2012
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documentário 1: vara de apalpar, cabritar
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documentário 2: cabritar e cirandar a bordo
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documentário 3: lavar e descarregar o redenho no barco