não há liso (o vitor revisitado)


vitor caravela

 
como são longos os dias
longe do mar
olho o teu retrato
e estás de novo ao meu lado
 
um sorriso nos lábios
a alegria de estar aqui
no mar
no nosso mar, vítor
 
há dias em que a tristeza
e a memória
fazem maré cheia
e são ondas e ondas
em que se não vislumbra um liso
 
porque tem de ser assim?
 
vamos resistindo
deixando pelo caminho
amigos, família
a solidão cresce
vítor
 
como são longos os dias
longe do mar
a solidão cresce
vítor
a solidão cresce

carências


conforme combinado, a porta abriu-se e ela surgiu.

ele tremia, não estava habituado, nunca tinha.

depois de acertado tudo, ela iniciou as tarefas que constavam do contrato.

constrito ele pediu:

– já, não, preciso de festas, acaricia-me

durante algum tempo, frequentou-a, tornaram-se quase amigos e ela fez dele confidente.

depois… depois cansou-se e quando voltou a querer estar com ela, ligou-lhe, mas atendeu uma voz de homem. tinha partido e o número sido atribuído a outro consumidor.

a vida é um mundo e nem todo o mundo cabe na vida