cada cavadela, cada minhoca


sérgio e ricardo silva

sérgio e ricardo silva

depois de ter feito, com grande prazer e alegria, este registo dos filhos do arrais marco silva a ajudarem o pai, pasmo perante as declarações do presidente da câmara da murtosa, à sic:

– …. este é um acto emocional, não é um acto racional, a um jovem tudo recomendaria que ele não gastasse provavelmente quase 15.000 euros na construção desta embarcação …..

querem mensagem mais encorajadora para o futuro do moliceiro? que o pensasse, estava no seu direito, mas que o viesse dizer para a televisão num momento de festa ……  eis o que pensa o presidente da pátria do moliceiro.

por favor, digam que ouvi mal, ou que quem está errado sou eu

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torreira, 20 de junho de 2015

o moliceiro “Marco Silva”


para o arrais marco silva

e partiu de vela erguida

e partiu de vela erguida

haver no homem o sonho
a força o querer o fazer

o sentir da casa cheia
os amigos os filhos

um barco onde todos
se abraçam se sabem são
voa na ria um barco novo
ao leme um homem que sonhou
soube dar ao sonho a forma de barco
um moliceiro a que emprestou o nome

vogam os dois na ria
e o presente sorri de ainda
haver homens assim por aqui

é possível construir o futuro

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ria de aveiro; torreira; 20 de junho de 2015

o vento era pouco onde a vontade foi muita, mas o “Marco Silva” velejou pela primeira vez

os moliceiros têm vela (118)


eu e o outro somos um

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cada vez sei menos
e o que sabia esqueci

sou a memória ao contrário
cheio de tudo vestido de nada
desaprendi de sorrir ao vento
de tanto o vento me cortar o sorriso

restam-me as mãos e os olhos
este bicho inquieto que sou
rasgar silêncios procurar ser voz
teimoso e incredulamente crédulo
fora do baralho e o jogo corria bem

cada vez sei menos
e o que sabia esqueci

não estranho por isso
que não me entendam
não me oiçam nem me falem
sou de menos para mim
e de mais para muitos
sou o que incomoda por ser

eu e o outro somos um

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(torreira; regata da ria; 2011)

os moliceiros têm vela (114)


(para uma menina grande
que nunca será daqui)

miragem real

miragem real

preciso de falar de ti

olho e vejo e não vejo
o que vêem os teus olhos
vejo-te e uma lágrima

braços e mãos em movimento
permanente e aleatório
os sons guturais que emites
palavras de uma língua só tua
olhos como se todo o corpo eles

que vês quando olhas?
porque sorris?
que mundo é o teu?

olhas-me olho-te
tenho a certeza do desencontro

todo o tempo cabe num instante

todo o tempo cabe num instante

(torreira; regata s.paio; 2010)