do regresso
é pelo olhar
que regresso
sonho-me
(murtosa; regata do bico; 2009)
do sorriso
solares os dias em que sorris
renascido de um tempo parado
és-me de novo não sei por
quanto tempo mais
sou inteiro por instantes
(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
no moliceiro “dos netos”, o ti abílio e o zé rebelo
um nós novo
traz-me tudo menos
esse olhar perdido
onde já nada navega
senão o por dentro
de coisa nenhuma
o vazio é um caminho
não o inicies
empresta-me os teus olhos
deixa que os leve até onde
fomos sol e sombra
ombro a ombro os dias galgados
na cumplicidade concebida
de afectos
o vazio é um não lugar
o braço que te abraça
suporta o peso insuportável
dos anos sobre ti
és tu e eu
um nós diverso
em busca de
(ria de aveiro; regata da ria; 2009)
o abraço que une o ti zé rebeço e o zé pedro, é a prova de que só não há futuro para os moliceiros com vela, se o não quiser quem manda nesta terra.
por experiência própria, sei que se a autarquia não quiser nada se faz. e eles sabem-no. foram eleitos pela esmagadora maioria dos murtoseiros, o que fizerem, ou não, é em nome dessa maioria e com o seu apoio, gostem ou não que eu o diga.
no passado foi o moliço, depois o moliço conviveu com as regatas. agora são as regatas e os passeios. e amanhã?
o zé pedro pode ser o futuro ou mais uma oportunidade perdida. com os poucos anos que tem, já é um arrais com provas dadas.
será que quem manda na terra não vê que ainda há jovens que sonham numa murtosa com moliceiros?