da vertigem

entre a partida
e o regresso
a vertigem
da viagem

(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
da vertigem

entre a partida
e o regresso
a vertigem
da viagem

(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
ontem no mundo
ontem em paris
ontem em áfrica
ontem na américa
ontem na ásia
ontem no mundo
a morte esteve nas ruas
invadiu as matas
atapetou os desertos
semeou corpos
a morte enche os dias
do meu tempo
como encheu o tempo
todos os dias
em todas as geografias
a morte pela mão do homem
não poder ser imortal
(ria de aveiro, murtosa; cais do bico)
falo a língua do sal
não digo da pedra
que é água
do vento que areia
digo-te que o que é
não deixa de ser
só porque o nomeias
de forma diversa
lutei pelos dias claros
em todos os olhos
não semeies nuvens
onde sol poisou
falo a língua do sal
(torreira; companha do marco; 2012)
hoje é o dia
um dia
verás o que nunca viste
um dia
o inesperável acontecerá
então
dirás não o que sabes que é
mas o que gostarias que fosse
com isso tentarás confundir
o que queres com o que tens
então
quererás que a tua mentira
vença a evidência dos factos
seja a verdade que não existe
para continuares a ser o que já não
seres o que não és foi coisa
que te levou à ilusão de tentares ser
o que sendo nunca serias
hoje é o dia de ouvires
que já te ouvimos quanto baste
(torreira; regata das bateiras; s. paio; 2012)