os moliceiros têm vela (167)


continuar

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“andar à vara”

o que resta de mim
é o haver ainda
uma flor por nascer
outras que pouco vejo
mas sinto minhas

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

agarro-me às raízes
enterradas fundo no mar
ao moliço da ria antiga
vara espetada no lodo dos dias
empurrando um casco velho

abro os olhos cansado
cada dia mais seco

reinvento-me para continuar

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tanta arte quanto à vela

(torreira; regata do s. paio; 2010)

postais da ria (118)


digo

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a limpidez das palavras
o serem assim
todas para todos

não quero explicar a luz
o princípio do mundo
sequer o porque estou vivo
não é esse o meu intento

dou-te um copo de água
sem corantes nem conservantes
para que mates a sede
sem preocupações de dicionário

o mais são outras navegações

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(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2014)

os moliceiros têm vela (166)


conversar

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viver é navegar à vela dos dias

somam-se na memória os nomes
guardam-se os rostos
ressoam os sons das vozes dos sorrisos

todos os dias
o tempo varre do sol
os que a mais
no seu critério intemporal

sem saberem que já não
suspeitando alguns o quando
muitos me vão deixando
e é imenso o peso da ausência

escrevo para os lembrar
conversar ainda

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há dias assim, cheios de tudo

(torreira; regata da ria; 2011)

postais da ria (117)


tempo

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ti zé costeira: o regresso da pesca

quando se perde tudo
o que a vida nos deu
para que serve mantê-la

para onde o ti zé foi
há-de haver uma bateira
uma cana de pesca

e tempo

muito tempo
que é essa a arte
do pescador

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sempre o conheci assim

(ria de aveiro; torreira)

o ti zé costeira partiu

postais da ria (116)


para o vilmar vidor

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a viagem do vilmar pode ser assim

aos amigos virtuais
uma amizade real os une

um nome um rosto
uma mensagem uma foto
uma vida para além da vida

por existirem num outro real
os amigos virtuais nunca morrem
nem sabem de partidas

por isso tu vilmar vidor
continuas comigo

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toda a beleza atravessa o oceano num barco para ate abraçar, vilmar

(torreira; regata das bateiras; s. paio; 2014)

crónicas da xávega (113)


é este o meu tempo

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o sérgio e o ricardo, filhos do arrais marco silva

escrevo mar e amor
por dentro das palavras
vida a pulsar em mim

imagens sons cheiros
barcos homens mulheres
ondas gaivotas peixe

voo devagar por sobre tudo
como se o sol nascesse
sempre

é este o meu tempo

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os irmãos sérgio e ricardo, carregam um dos braços de aço da muleta

(torreira; companha do marco; 2015)

 

os moliceiros têm vela (164)


só

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meço o tempo pelo cansaço
por esta coisa chamada corpo
desistente quase de ser
dizendo-se a cada instante
sussurrando-se-me

é pelos olhos que regresso
e somos todos ainda
velas sobrevoando os dias
num bando de abraços

olhar é sentir ontem hoje
sentir só

só

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(murtosa; regata do bico; 2009)