esqueço-me
com facilidade
o tempo já
não me chega
porque curto
para tanto
lembro-me
com dificuldade
as palavras
sobem a custo
as escadas
do poema e hesitam
antes de
escuto-me
perco-me
muito
encontro-me
por vezes
serei ainda
o que?
ao rés da água
a beleza sorri líquida
os homens são ainda
a continuação de
o regresso ao ter sido
velas erguidas desafiam o vento
e a sabedoria de quem
de todos os cantos do concelho
onde bateiras ainda
a festa renova-se no bolinar
desafiante
a ria sorri de plena
mãe renovada
de filhos sempre moços
para ler com o filme de Jorge Bacelar
com pauta e partitura
escritas a preceito
e a pedido
o maestro mais não é
que marionete
do emprego futuro
herança de ter sido
a orquestra
sabe o que quer
disso está certa
tanto quanto mentir
para não o dizer
interesses de poucos
que muitos enganar querem
músicos …….
sei-os
o suficiente para não
saber de medo
e interpretar pauta diversa
saberás tu?
ser quase nada
para quase tudo
e
quase tudo
para quase nada
o meu nome
são vários
e um só
pensionista
reformado
funcionário público
para mim tudo
é
transitório
em trânsito para definitivo
queria dizer-te
outras coisas deste país
mas os coelhos comeram as flores
um dia virá
e será breve
em que almoçaremos coelho
para ter o prazer de o vomitar