(foram ainda novos alguns
outros os seguiram
o tempo os leva
hoje foi o jorge
sobrevive-se aqui)
o teu tempo
é breve
a tua luz
ínfima
de água
o teu sorriso
porque choras?
queria ter palavras para ti
meu amigo
mas que palavras podem embrulhar
o que sinto
o que me sinto diante de ti
coisa pouca
depois de te conhecer
de te saber assim
enorme
depois de te ter conhecido
criança aos pés de tua mãe
na areia a olhar o mar
onde agora homem
há amigos
que nos dão vida
o prazer de ter cá estado
os ter conhecido
e nos terem deixado entrar
no seu convívio
obrigado por existires
alfredo
(torreira; companha do marco; 2010)
aqui onde o mar é tudo
que eu em terra
este varado
sequer poiso de gaivotas
nada
nada: é ser isto
um barco
é coisa feita para mar e ondas
gritos e sobressaltos
viagens mesmo se quase ali
não
não esta coisa deitada à espera
do sol
dos homens
à espera de ser
(praia de mira; companha do zé monteiro; barco de mar s. josé)
canhoto de alcunha
não é parco nas mãos ambas
ele é redes
ele é remos
ele é tudo o que o arrais pedir
ele é o sorriso
frente às vagas
o abraço que abraça todos
à tona do rosto
o mar salga-nos os olhos
só de o ver
ele é o rosto de todos os rostos
da gente de mar
ele é o rosto
dos pescadores portugueses
agostinho
vamos?
onde queiras cravo
é assim sempre
(torreira; companha do marco; 2010)