alfredo amaral


alfredo amaral

alfredo amaral

queria ter palavras para ti
meu amigo
mas que palavras podem embrulhar
o que sinto
o que me sinto diante de ti

coisa pouca
depois de te conhecer
de te saber assim
enorme
depois de te ter conhecido
criança aos pés de tua mãe
na areia a olhar o mar
onde agora homem

há amigos
que nos dão vida
o prazer de ter cá estado
os ter conhecido
e nos terem deixado entrar
no seu convívio

obrigado por existires
alfredo

(torreira; companha do marco; 2010)

espera


 

s. josé

s. josé

 

 

aqui onde o mar é tudo

que eu em terra

este varado

sequer poiso de gaivotas

nada

nada: é ser isto

 

um barco

é coisa feita para mar e ondas

gritos e sobressaltos

viagens mesmo se quase ali

 

não

não esta coisa deitada à espera

do sol

dos homens

 

à espera de ser

 

(praia de mira; companha do zé monteiro; barco de mar s. josé)

sempre


 

agostinho trabalhito (canhoto)

agostinho trabalhito (canhoto)

 

canhoto de alcunha

não é parco nas mãos ambas

ele é redes

ele é remos

ele é tudo o que o arrais pedir

ele é o sorriso

frente às vagas

o abraço que abraça todos

 

à tona do rosto

o mar salga-nos os olhos

só de o ver

ele é o rosto de todos os rostos

da gente de mar

 

ele é o rosto

dos pescadores portugueses

 

agostinho

vamos?

onde queiras cravo

 

é assim sempre

 

 

(torreira; companha do marco; 2010)