tempos cinzentos


mãe e filho: ana e alfredo amaral

mãe e filho: ana e alfredo amaral

 

tempos cinzentos estes
em que se espera que o pão
o de cada dia
chegue à mesa depois de um dia
de trabalho duro
ou sem trabalho
ou de mar ingrato

isto te ensinei meu filho
o caminho de areia
o caminho por onde o teu sorriso
o teu esforço para além do teu corpo
que do meu

tempos cinzentos estes
em que cada vez menos somos
quando mais nos disseram
que seríamos
saberão que somos
mais que números?

tempos cinzentos estes
por mais que nos prometam pomares
e sumo basto de laranja
ao pequeno almoço

 

(companha do marco; torreira; 2010)

zé caravela


 

 

 

zé caravela

zé caravela

abraçar o mar
com a força dos olhos

sentir o mar
nos braços
no peso das cordas
nos pés que se enterram na areia
ao peso de tudo

saber o mar
lê-lo com todos os sentidos
e saber que nada se sabe a não ser
que é o mar

o mesmo mar
com quem teimar
é destino diário
e não cântico efémero
sem saber notas
nem ler pautas
só para encantar

conhecer o mar?
pretensão de quem pensa
em tudo poder mandar

que tamanho tem o homem?


 

o arrais marco silva, torreira, 2010

o arrais marco silva, torreira, 2010

o do desafio que aceita?

o do sonho porque luta?
o do amor que o alimenta?

não há mar a mais
nem se precisam de homens do leme
há saberes e rotas
desejos e metas

há o Homem
que só o é porque há outros homens
saibam-no ou não
basta que ele o saiba
e seja mais que ele
seja todos
mesmo aqueles que não se sabem
para o saber a ele

o tamanho do homem?
boa pergunta

manifesto anti crise


 

 

MANIFESTO - convite

 

 

porque a poesia também é uma forma de combate, . . .

por dentro palavras de muitos, algumas minhas

o local onde vai decorrer o lançamento diz muito a quem

não sei se estarei presente, porque em campanha eleitoral

a poesia está na rua, e a rua encheu-se de cartazes de vieira da silva. 1974

a poesia está na rua, se daí ao papel chegar valeu a pena

quem sabe nos encontramos