uma mão
apenas uma mão
enorme porém essa
que se estende
quando
que estendo
se
que fala
por
que aperta
uma mão
nada mais
que uma mão
essa
a que me dás
uma mão
a minha
para ti
onde tu
já
falo dos
amigos
ser quase nada
para quase tudo
e
quase tudo
para quase nada
o meu nome
são vários
e um só
pensionista
reformado
funcionário público
para mim tudo
é
transitório
em trânsito para definitivo
queria dizer-te
outras coisas deste país
mas os coelhos comeram as flores
um dia virá
e será breve
em que almoçaremos coelho
para ter o prazer de o vomitar
o cansaço
pendurado do corpo
no peso de ser ainda
o suporte desta coisa de pensar
lentos os movimentos
procuram ser mais do que
todo o tempo é leve
e pesa como séculos
um homem
corre contra
lento
quase não
nunca desistente
o resistir
mais forte que o corpo
cansam-me os olhos
de ver