todas as falas
são fala de vida
grito imenso
pintando de sons
o silêncio dos dias
todas as falas
são fala de vida
grito imenso
pintando de sons
o silêncio dos dias
dizer noite
procurar palavras
sedosamente
adormecer-te dentro delas
essa a música
basta pum basta!
uma geração, que consente deixar-se representar por um coelho é uma geração que nunca o foi! é um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! é uma rêsma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!
abaixo a geração!
morra o coelho, morra! pim!
uma geração com um coelho a cavalo é um burro impotente!
uma geração com um coelho à proa é uma canôa uni seco!
o coelho é um cigano!
o coelho é meio cigano!
o coelho pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquezas!
o coelho é um habilidoso!
o coelho veste-se mal!
o coelho usa ceroulas de malha!
o coelho especúla e inócula os concubinos!
o coelho é coelho!
o coelho é júlio!
morra o coelho, morra! pim
…….
escrevo agora
olhando o que não vejo
sinto apenas
e isso é muito
se o tempo
fosse
sem ter ido
verão seria
ainda
resta a música
pendurada do sol
estou nu
tremo
visto-me de ria
sorrio
sou rio
aqui onde ele
virá um dia
assim
nos braços
da música
florirá
por aí
onde houver
ainda
as carícias
digo
são palavras
tornadas
gestos
ou o inverso?