ti cravo_ memória de um verão


luminosos os dias
passaram

na memória desenhados
os contornos de um tempo cheio

entre mar e ria repartido
diversas as artes, os homens, as histórias

nas companhas com os homens
que dominam o medo
galgando o mar com gritos de:
bota! bota! bota!

na ria com os serenos
pescadores das bateiras
sobrevivendo até à próxima partida
para o arrasto, para o bacalhau
em busca do sustento que a ria nega

o zé rito
está a fazer um moliceiro novo
para a regata de julho
e o barco é de todos
ponto de reunião e união
“já foste ao barco hoje?”

duas miniaturas magníficas
feitas pelo ti henrique
enriquecem a minha galeria:
um moliceiro e uma caçadeira
temos projectos para outros

um jovem pescador do mar
quando me fui despedir
pergunta:

“oh ti cravo!
para onde é que vai?”

(ria de aveiro; torreira; marina dos pescadores)

palavras para quê?


uma das características dos moliceiros é a decoração pictórica dos painés da ré e da proa.

são várias as tipologias de pinturas que podem ser utilizadas da decoração, conforme classificação inserta na tese de doutoramento, da professora clara sarmento. no entanto a sátira e o duplo sentido são uma das mais utilizadas.

esta é uma ilustração típica com o fotógrafo lá dentro

(ria de aveiro)

o reflexo de ti


nocturno na ria
 
procura a
a beleza
essa que te recusas a
existe
onde tu
 
nada é
tudo pode ser
em ti a escolha
o querer
 
há luz
por dentro do silêncio
da noite
é a mais pura
a mais bela
a mais tua
 
não digas que não
sem saberes se
sem te procurares
o reflexo de ti
és tu ainda
 
saberás vê-lo?
 
(torreira; marina dos pescadores)
 
 

no acto de ser


assassinado e belo

 

nada

é tão límpido e transparente

como tu

se

 

vês a cidade

tremer nas águas

que imaginas límpidas e puras

engano teu

 

espelho

velho gasto e assassinado este

que os olhos te ofertam

 

o teu silêncio cúmplice

a fome do lucro

o desprezo pela terra mãe

tudo isso

o matou aos poucos

 

transparente e límpido

só tu

se te souberes

e fores

no acto de ser

 

(aveiro; canal principal)

 

 

ama tudo


à tona da maré

 
o sorriso
na face
à tona
dos dias
 
nada é tão
pesado
como a tristeza
de não ser
 
canta
o estares aqui
mesmo se
 
és
nada mais
que tu
aceita-te
mas não desistas
de ser mais
 
sem pressas
sem angústias
acorda os dias
em que estás
por vezes
sem saberes como
 
sorri
e ama tudo
que tudo
é
 
(murtosa; bico)

A bateira Avieira, como membro da família das bateiras


 

Na Sociedade de Geografia de Lisboa, celebrou-se o tradicional Dia Nacional do Mar. O tema central das comemorações centrou-se na bateira Avieira. Foi um acontecimento relevante para o projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco, que decidimos publicar, evidenciando a bateira Avieira e uma comunicação sobre as bateiras nacionais, de autoria do Sr. Arquitecto Carlos Mateus de Carvalho.

Decidiu-se publicar esta Folha com esta comunicação, deixando para uma data posterior a publicação de outra importante comunicação sobre a bateira Avieira, feita neste Dia Nacional do Mar pelo Sr. Arquitecto Fernando Simões Dias, que tem dedicado os últimos anos a pesquisar sobre este valioso património cultural dos Avieiros.

Ao Sr. Arquitecto Carlos Mateus de Carvalho apresentamos os nossos agradecimentos por nos ter autorizado a publicação da sua comunicação.

O Gabinete de Coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)

Cultura Avieira – Um património, uma identidade

representações de bateiras

FOLHA INFORMATIVA Nº03–2012

SOBRE ALGUMAS EMBARCAÇÕES QUE NAVEGAVAM NA LAGUNA DE AVEIRO,

e não só…

FOLHA Nº03-2012_As Bateiras-genealogia, tipologias, distribuição[1]