regatas de moliceiros na ria de aveiro, uma morte anunciada?


regata da ria, junho, 2013

regata da ria, junho, 2013

no passado dia 31 de maio publiquei neste blog o artigo, https://ahcravo.wordpress.com/2013/05/31/regata-de-moliceiros-da-ria-de-aveiro-em-2013/ , e no dia 20 de junho, outro, https://ahcravo.wordpress.com/2013/06/20/regata-moliceiros-2013/ ,

em que me congratulava pela realização, este ano, da regata de moliceiros da ria de aveiro, entre a torreira e aveiro.

a sua realização foi divulgada e assumida pela na página da “Região de Aveiro” (http://www.regiaodeaveiro.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27851&eventoId=34380)

a partida, na torreira, foi dada pelo presidente da comunidade intermunicipal da ria de aveiro, confirmando assim o empenhamento desta entidade na realização da regata.

dois meses depois, empenhados estão os donos dos moliceiros que participaram na regata, pois ainda não receberam ainda os prémios devidos pela participação, posição à chegada e qualidade dos painéis.

soma-se a isto o facto de, alguns, terem recebido uma notificação de 26 de agosto, da polícia marítima, comando local de aveiro, de que transcrevo o motivo e o valor da coima:

no dia 23 de Junho de 2013, foi verificado que a embarcação auxiliar local ….., navegou no Canal de Mira, no decurso da Regata da Ria de Aveiro, com percurso entre a Marina do Jardim Oudinot e o Cais dos Pescadores da Costa Nova sem possuir o Rol de Tripulação válido……..

…com a coima a graduar entre 124,70€ a 2.493,99€

quando acompanhei a regata, fiquei a saber que este percurso fazia parte das condições que a região de aveiro negociou com os moliceiros para que recebessem os prémios a que tinham direito. só não percebi para que é que serviu, nem eu, nem nenhum dos moliceiros:

. não havia qualquer divulgação local do evento (verifiquei-o pessoalmente em conversa com presentes no jardim oudinot)

. e à nossa espera, na costa nova, estava tão só uma embarcação da polícia marítima, que nos perguntou em que posição tínhamos chegado e nos disse que podíamos regressar.

para quem lá esteve sabe que este pequeno trajecto, de que ninguém se apercebeu da utilidade prática, foi mais perigoso, pelas condições de maré e vento, que toda a regata. houve mesmo acidentes a lamentar entre os moliceiros que fizeram o percurso.

isto dito, e face à notificação recebida, fica esclarecida a dúvida quanto à utilidade prática do percurso adicional no dia 23……

espero que tudo se resolva por bem que, para mal, já basta assim……

em 2012, conforme as publicações

https://ahcravo.wordpress.com/2012/08/11/julho-2012_protesto-moliceiros/

https://ahcravo.wordpress.com/2012/07/15/ha-moliceiros-na-ria-em-protesto/

https://ahcravo.wordpress.com/2012/07/17/o-protesto-dos-moliceiros-na-comunicacao-social/

dei todo o meu apoio aos moliceiros, este ano, e sempre que necessário, aqui estarei, solidário com as suas “raivas” e desesperos.

face ao descrito, alguns moliceiros já me disseram que não iriam participar na regata de s. paio…

que mais poderão fazer, para fazer de conta?

 

comentário de Nelson Marnoto, filho do dono do moliceiro Marnoto:

 

Quanto ao Presidente da CIRA o Sr Eng Ribau Esteves que muito prezo, que agora que é candidato à Camara Municipal de Aveiro e que curiosamente utiliza como fundo a imagem do Moliceiro nos seus cartazes, no dia 22 de Junho ficou de ir entregar os prémios da dita Regata como estava previsto no programa da Regata, mas apenas tivemos direito à presença da Silvia Ribau do Turismo do centro e do Sr Joaquim Baptista Presidente da Camara Municipal da Murtosa tal como escrevi no bloghttp://velaeria.blogspot.pt no passado mês de Junho. Deixo aqui uma mensagem às entidades envolvidas que foram a Associação Nautica da Torreira e a “CIRA” Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro” Ria de Aveiro “, Se voltarem a organizar mais alguma Regata de Moliceiros tenham o cuidado de fazer e entregar o programa mais cedo, saber das coisas no dia anterior é muito em cima do acontecimento…

manifesto anti crise


 

 

MANIFESTO - convite

 

 

porque a poesia também é uma forma de combate, . . .

por dentro palavras de muitos, algumas minhas

o local onde vai decorrer o lançamento diz muito a quem

não sei se estarei presente, porque em campanha eleitoral

a poesia está na rua, e a rua encheu-se de cartazes de vieira da silva. 1974

a poesia está na rua, se daí ao papel chegar valeu a pena

quem sabe nos encontramos

falta-me o ar


o fazer do sal na morraceira, figueira da foz

o fazer do sal na morraceira, figueira da foz

 

publicada em 2012, na quetzal, com uma tiragem de 1.500 exemplares, a “Poesia Reunida” de Maria do Rosário Pedreira, tem sido para mim uma obra obra de leitura desgastante e ainda não concluída; por um motivo simples: a cada poema falta-me o ar.

 

a emoção escreve-se pela mão da autora, sente-se, respira-se, sufoca-se de tanta. a simplicidade da escrita, tão difícil de conseguir, torna-a acessível a quem sabe ler em português e sentir em qualquer língua.

 

há muitos, muitos anos, desde eugénio de andrade, que não encontrava uma poética assim: deslumbrante de tão nossa, tão …. porque não fui eu a escrever?

 

num país de poetas – veja-se o quantos no face …. – interrogo-me: como é que uma obra destas, com uma tiragem tão reduzida e já quase com um ano de edição, ainda não esgotou?

 

do deslumbramento que tem sido caminhar pela poesia de maria do rosário pedreira, com falta de ar, claro, aqui fica um momento de sufoco:

 

 

A Criação do Mundo

Olhou as mãos em concha e viu arredondar-se

um sonho dentro delas – um mundo

que ninguém podia adivinhar, pois dele

fariam também parte os magos e os profetas.

 

Abriu-as devagar e deixou cair as trevas como sementes,

para que então servissem unicamente de sombras

e prolongassem a memória das coisas por vir. Foi assim

que inventou a luz e separou um dia do seguinte.

 

Depois afastou o céu daquilo que viria a ser o mar,

como quem divide um lenço azul em dois e limpa

as lágrimas apenas a metade. No meio, deixou que

crescesse tudo quanto do chão quisesse escapar-se

para traçar a primeira geografia dos caminhos. E assim

 

descobriu a cor e encheu a sua paleta de animais

que rasgariam os céus, cruzariam os oceanos e

revolveriam as entranhas da terra na estação

das chuvas. Por fim, semeou pequenas clareiras

 

nas florestas, pedras nas vertentes das cordilheiras,

cristais de neve no contorno dos lagos, estrelas cadentes

na vizinhança do desespero e rios serpenteantes

entre as searas louras, mordidas por um sol que lhe caiu

quase sem querer dos dedos, mas lhes aproveitou o calor.

 

E, apesar da alegria que experimentou, sentiu que o seu

mundo era tão frágil que, se desviasse os olhos, tudo acabaria

por regressar ao pó, às trevas e ao verbo. Só por isso criou alguém

que também o visse e lhe dissesse todos os dias como era belo.

 

Maria do Rosário Pedreira  em “O Canto do Vento nos Ciprestes” e “Poesia Reunida”, Quetzal 2012”

murtosa: as obras nos cais do Bico ou um bico de obra


assentar a calçada (2012)

assentar a calçada (2012)

 

 

as obras de remodelação dos cais do Bico, mostram à evidência, ou aos olhos de quem por lá passa em dia de maré cheia, que há algo que não está bem. então a água entra no cais como se a ria se prolongasse por ele dentro? é essa a ideia de um cais: ficar debaixo de água?

 

as imagens estão aí, tiradas por mero acaso em 2012 e 2013, no verão, em dias de marés vivas, mas sem chuva, imagine-se uma situação de maré viva e com chuva…..

 

repare-se na foto em que é claro que a cota dos cais remodelados está abaixo da do cais da marina. porquê? o que terá levado a que se tivesse feito desse modo? quem fez o projecto conhecia o Bico? quem o aprovou, fiscalizou a obra e a recebeu, conhecia o Bico? para estas perguntas, que normalmente não teriam cabimento, a resposta teria de ser sim. porque esse é o princípio que rege toda a obra: o saber do onde, como,para quê e para quem. só que no caso do Bico, face o resultado elas surgem naturalmente.

 

talvez encontre uma resposta para o abaixamento da cota: ficar ao mesmo nível do lado oeste (do mar) do Bico.

 

mas quem conhece o Bico sabe que os cais centrais ficavam sempre debaixo de água quando ocorriam marés vivas. então a obra teria sido uma boa altura para os elevar e impedir que isso voltasse a acontecer. mas não, agora a ria já não passa por cima da lama, passa por cima da pedra e de alguns milhões de euros malbaratados.

 

assisti ao assentamento da parte final da calçada e, a foto atesta-o, o piso ainda estava cheio de sal da última maré cheia. quem pode dar garantias sobre esta calçada?

 

depois inventaram uns muretes de cimento para impedir que a água entrasse, mas esqueceram-se que a água também pode vir de baixo…. mais uns euritos. a menos que se estivesse a pensar em fazer piscinas para que algumas crianças pudessem gatinhar pela primeira vez nas águas da ria.

 

isto para não falar nos molhes, onde é suposto as embarcações atracarem, e que em vez de serem na vertical – como foi feito mais tarde na ribeira de Pardelhas e está a ser feito na Cambeia, permitindo uma atracação fácil, com pequenas escadas chumbadas no encosto – se optou por uma inclinação tal que foi necessário reconstruir ou reinventar os cais palafitas de antes das obras.

 

quantos milhões de euros custou a obra? quanto tiveram de gastar os utilizadores na construção dos acessos ao seus barcos? quanto tempo vão durar os cais centrais, a calçada? como é possível tanto erro e tanto dinheiro mal gasto? quanto custou tudo isto ao contribuinte? que imagem fica do Bico?

 

certamente que o Bico e a Murtosa mereciam melhor.

 

vão até ao Bico, vejam e, pelas marés de S. Bartolomeu, em agosto, pasmem.

 

por vezes, ver é inconveniente e pensar pode ser perigoso para certas poltronas.

 

mais fotos

 

à direita o cais da marina, à esquerda o cais remodelado

à direita o cais da marina, à esquerda o cais remodelado

 

maré viva 2012, o cais central

maré viva 2012, o cais central

 

maré viva 2012, pormenor da água dentro cais

maré viva 2012, pormenor da água dentro cais

 

maré viva 2012, a ria por cima do molhe

maré viva 2012, a ria por cima do molhe

 

2012, os encostos palafitas

2012, os encostos palafitas

 

 

maré viva 2013

maré viva 2013

 

maré viva 2013

maré viva 2013

 

maré viva 2013

maré viva 2013

 

maré viva 2013

maré viva 2013, o interior alagado

 

 

maré viva 2013

maré viva 2013

 

 

 

tertúlia de teatro na feira do livro 2013, em coimbra


ruy de carvalho

ruy de carvalho

no dia 1 de junho de 2013, decorreu na feira do livro de coimbra uma tertúlia de teatro que contou com a participação dos actores ruy de carvalho e rui damasceno, moderada por abílio hernandez.

momentos únicos partilhados com os que souberam estar presentes e a que manuel rocha, director conservatório de música de coimbra, emprestou uma análise dos tempos que vivemos lúcida e incisiva.

um artesão de bragança ofereceu a ruy de carvalho uma peça feita no momento e que representava um santo antónio.

fica como memória inesquecível desses momentos a carta há pouco publicada no facebook por ruy de carvalho e que é, sem dúvida, um documento para a história da política cultural deste governo.

“Senhores Ministros:

Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país – colegas que muito prezo e gostava de poder defender.

Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero… a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Exel ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride, nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito… porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!

RUY DE CARVALHO”

a que acrescenta, para conhecimento dos amigos:

“Caros amigos, cada um lida com a sua honestidade, no tempo que lhe é próprio. Sou e serei um Social Democrata, porque acredito nesse tipo de formatação política.
Ergo agora a minha voz, como já o fiz tantas vezes antes, noutras coisas, e também na minha profissão, por ver que aqueles em quem acreditei fogem aos princípios que juraram defender.
Foram eles que juraram e não eu.
São eles que enganam. E por me sentir enganado, não precisei de recorrer a grupos, quer políticos, quer profissionais para abrir uma frente de protesto. Todos os que me conhecem sabem que estou sempre na primeira linha das lutas contra a mentira e as injustiças. Lá muito no fundo ainda acredito que o arrependimento pode salvar os “pecadores”.
A minha honestidade cultural obriga-me a saber separar o trigo do joio. Ser Social Democrata é tão importante como ser Socialista, Comunista, Centrista ou Bloquista. Em todos os partidos há boas e más pessoas. Tenho pena que todos nós, todo o Povo Português, tenhamos tido pouca sorte nas escolhas que fez.
Quanto ao meu protesto, mantenho o que disse: A lei está do lado dos artistas….”

rui damasceno

rui damasceno

abílio hernandez

abílio hernandez

manuel rocha

manuel rocha

álbum completo em :

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.3092278481870.1073741833.1711262512&type=3

os últimos passos de passos


no aconchego

no aconchego

ontem e hoje, nos meios de comunicação, passos coelho responsabiliza, entre outros, o tribunal constitucional, por uma eventual crise.

 

e eu ….

 

eu começo a pensar no ladrão que, em julgamento, se vira para os presentes e diz:

“que fique bem claro que se eu for preso, pelo roubo que fiz, a responsabilidade é do sr. juiz que me condena e das vítimas que roubei.

eu só fiz o que achava que devia fazer”

o livro do espanto


 

livro do ano da autoria de afonso cruz

 

o prazer de passear por entre livros, abri-los, folhear algumas páginas e tentar descobrir algo que me agrade, é uma aventura que por vezes me leva à aquisição de mais um livro, mesmo em momentos de crise.

 

hoje, porém, não foi só uma aventura, sequer um prazer, foi uma viajem ao mundo do espanto.

 

gostei da capa, abri as primeiras páginas e fui lendo, a cada uma que passava era eu que me “passava”, um verdadeiro espanto, cada página uma pérola e eu …. eu de espanto em espanto até ao espanto de não haver qualquer nota biográfica sobre o autor, até nisso era espantoso.

 

aleatoriamente abria-o e lia o que na página encontrada o autor semeara, não houve uma, uma só, em que não me detivesse e me espantasse.

 

simplesmente simples e belo, ainda tremo quando escrevo sobre o que sinto.

 

aos amigos, aos verdadeiros amigos, só posso pedir um favor: não deixem de comprar.

 

falo, se calhar tarde, de “o livro do ano” da autoria de afonso cruz.

 

caldeirada de enguias à murtoseira


 

 

caldeirada enguias

 

 

receita do meu tio avô césar augusto cravo, escrita, guardada e utilizada pelo meu pai.

 

convém notar, porém, que a receita implicava também, para que a caldeirada ficasse bem feita, que as enguias fossem de determinadas zonas da ria, quando elas hoje já escasseiam em toda a ria.

 

aqui fica pois uma receita possível para a caldeirada e que, se bem aplicada, ainda pode produzir um resultado interessante ao paladar.

 

bom trabalho

 

1) num tacho pôr:

 

  • água ( a quantidade depende de se querer fazer sopa ou não)
  • enguias cortadas às postas (meio quilo por comensal)
  • tomate aos quartos
  • cebola às rodelas
  • folha de louro
  • um pedaço de unto de porco
  • alhos
  • salsa
  • um pouco de azeite
  • batatas cortadas às rodelas

 

  1. quando começar a ferver adicionar: 
  • pó de gengibre
  • um pouco de sal para a sopa

 

  1. deixar ferver durante 15 minutos

 

  1. retirar do lume 
  1. retirar caldo para a sopa 
  1. numa tijela fazer uma calda com

 

  • sal
  • azeite
  • alho picado
  • salsa picada
  • umas gotas de vinagre
  • um pouco de caldo da caldeirada 

    7) mexer tudo muito bem e verter a calda no tacho (dependendo a quantidade do paladar mais ou menos apetitoso que se pretenda obter)

     

    8) voltar a levar ao lume só para levantar fervura

     

    9) retirar o tacho do lume e ….. bom apetite