xávega, a cavala


saco cheio de cavala

saco cheio de cavala

já o disse noutra altura que onde anda cavala, não há carapau, porque foge de ser comido. um lanço de cavala não é um lanço rentável, porque o mercado de consumo directo e da restauração, não a valorizam e o grande consumidor, o mercado conserveiro, depressa fica saturado e paga a preços baixos.

quando o salmão está na moda como peixe saudável, os inconvenientes do seu consumo já foram divulgados pelo investigador do ipma,Carlos Cardoso, na conferência do dia mundial da alimentação, em 2012, em na fundação calouste gulbenkian, alertou para o facto de este peixe, embora rico em ómega 3, também o é em ómega 6, ácido que tem um efeito pró-inflamatório em muitas doenças.

na mesma conferência o investigador catalão, José Domingo aconselha o consumo de peixes que “até têm um preço económico” como a sardinha, a cavala, a anchova, o biqueirão, ou de moluscos como a lula e o polvo….”. ver a notícia em:

 

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/porque-e-que-e-melhor-comer-sardinha-do-que-salmao-1567566

 

uma das formas de apoiar os pescadores das xávegas da nossa costa passa pela promoção de pratos saudáveis que tenham por base a cavala.

é um desafio aos empresários de restauração das praias onde a xávega ainda se pratica. na figueira da foz, onde a cavala é proveniente da pesca das traineiras, esta promoção já é feita a nível local.

enviem-me receitas de pratos com cavala, acompanhadas de fotos, e eu divulgá-las-ei

 

(torreira; companha do marco; 2010)

 

zé pedro miranda


 

o paulo agarrrado à escota da vela do moliceiro

o zé pedro a agarrar a escota da vela do moliceiro

 

 

filho do alfredo miranda, a quem devo o manual do curso para arrais da ria e que muito jeito me tem feito, e neto do mestre zé rito – antigo moliceiro e actualmente mestre construtor de bateiras e moliceiros no estaleiro da torreira – o zé pedro é um verdadeiro homem da ria.

atento a toda as obras do avô, tem sempre um reparo a fazer, mas é a velejar e ao leme dos moliceiros que se sente bem.

aos 14 anos de idade, ao leme do moliceiro do ti manel valas, primo do avô, ficou em segundo lugar na regata do s. paio da torreira, de 2013.

é em putos como ele, com a tradição no sangue, a arte nas veias e a cultura que vão adquirindo na escola, que a ria continuará a viver.

 

(torreira; 2013)

xávega, o porfio


 

o agostinho trabalhito a cortar o porfio

o agostinho trabalhito a cortar o porfio

 

o saco do aparelho da xávega, é parcialmente fechado/cosido com uma linha mais grossa, de nylon, o porfio.

no fim de cada lanço o porfio é cortado para melhor se tirar o peixe e, depois de esticado na areia e seco o aparelho, porfia-se/fecha-se de novo o saco.

neste registo o agostinho tabalhito corta à navalha ( das que cortam como manda a lei ) o porfio, que ele depois voltará a coser.
(torreira; companha do marco; 2010)

o saco e a calima (1)


 

delmar viola

delmar viola, a desamarrar a calima

 
preso à extremidade do saco está o arinque/bóia que o sinaliza, a calime/a.

quando o saco chega à praia e está ser rebocada para lugar seguro, no momento em que a sua extremidade se torna visível, é preciso desamarrar a calime/a.

é isso que o delmar viola está a fazer

 

(torreira; companha do marco; 2010)

a fala silenciosa dos bois


 

 

mansa força bruta

mansa força bruta

 

somos agora outros
não tantos
não tão possantes
marinhões ainda
força
mansa e bruta
bois juntos
juntas de

memória de ter sido
nos genes tão só
cuidai disso quando
de nós quiserdes
o que fomos
sem o sermos

reviver não tem de ser
sofrer

(recriação da xávega, torreira, setembro 2013)

a lição


 

o fernando nuno a repara as redes da solheira

o fernando nuno a repara as redes da solheira

 

(o drama do redeiro

“quanto mais malhas faço
mais buracos ficam”)

 

sabe-te aqui
um aprendiz da vida
das coisas simples
que não carecem de escola outra

em cada dia
comer o pão
suado
é lição bastante
de sabedoria

ouve

(torreira; porto de abrigo)

escuta-te


 

 lentos, os moliceiros aproximam-se, deslumbramento de

                                                                                    lentos, os moliceiros aproximam-se, deslumbramento de

raiva de não poder
prender o tempo
permanecer por dentro
dos instantes em que
o deslumbramento
cresce para mim

escuto de novo o silêncio
a isso te convido também

o que ouves
não é som
é imagem
é música

escuta-te

 

(ria de aveiro; torreira)

a imagem é a mensagem


 

 

a apanha de bivalves nos secos da ria

a apanha de bivalves nos secos da ria

 
busca a essência dos dias
nas coisas mais simples
que não as mais evidentes
muitas vezes sequer as visíveis
abre os dias por dentro

não são de oiro o suor
as dores no corpo vergado

mostra o sentir
mesmo se tiveres de mostrar
o que não se vê

a imagem é a mensagem

 

 

(ria de aveiro; torreira; mariscar)

barrancos na praia


 

 

agostinho trabalhito

agostinho trabalhito

com as marés vivas de s. bartolomeu, muitas vezes criam-se na praia autênticos barrancos.

os tractores têm de ficar no cimo enquanto as redes vêm pelo areal, rente ao mar. os homens, então crescem, esticam-se e cumprem as suas tarefas.

neste registo o agostinho está a amarrar a corda de alar antes do calão para que este não passe pelo alador.

força, agostinho!

 

(torreira; companha do marco; 2010)