xávega
xávega_o aparelhar
é este o aparelho da xávega
à memória do arrais zé murta
só se no mar
do milheirão
a companha se dizia
lagoa azul
do barco o nome
venceram o mar
não venceram o tempo
foi-se a companha
jaz o barco em terra
no barracão envergonhado
de não ter mais mar
barco em terra deixado
é madeira afeiçoada e decorada
mas jamais
lhe poderás chamar barco
que mar não vê já
foram-se os homens
a outras companhas o pão
ganhar
que esta é a vida de quem nasceu
para ser homem só se no mar
(praia de mira; companha do milheirão; 2009)
o mar como caminho
o chamado da xávega
o maria de fatima no livro de português do 7º ano da porto editora
xávega_ o aparelhar das calas
xávega_o aparelhar
neste registo as calas começam a ser carregadas na proa do barco, enquanto o ti alfredo fareja (falecido), vai dispondo as redes de forma a serem correctamente carregadas.
encostada à borda do barco a actual viúva do arrais zé murta, maria murta
(torreira; companha do murta, 2007)
é urgente
ando por aí
no inventar de caminhos
encontros e desencontros
fabricando sonhos
nas noites diurnas
a acender fogos
no seio das rochas mais frias
para que nasçam rios cheios
de olhos abertos
a plantar árvores
em cima do mar
ver crescerem barcos
onde mais que homens são
os que lá dentro vão
na minha rede só letras
plantadas nos regos abertos pela enxada
desta cabeça imparável
acender lume nas pedras
abrir olhos nos rios
é urgente
(torreira; companha do marco; 2011)








