é à força de braços
que ao sol o saco se estende
na cama de areia
dormirá até ser de novo ave
e voar no mar
tudo se repete
e nunca nada
é do mesmo modo
(torreira; companha do marco; 2010)
houvesse gaivotas por perto e a limpeza seria mais fácil.
mas nem sempre aparecem para comer e para a fotografia.
a realidade é esta, não há gaivotas sempre, por isso é preciso estar lá para trabalhar todos os dias e muitos dias para fazer um registo gaivotado
(torreira; companha do marco; 2010)
já foi tempo de serem os homens, vieram mais tarde os bois
agora é tempo de tractores, a agricultura essa, é a mesma que o francês, ferdinand dennis, tão bem descreveu e que raul brandão citou no livro “os pescadores”
“– Que estranho país é este onde os bois vão lavrar o próprio oceano?”
(praia de mira; companha do zé monteiro”
o vídeo
aqui onde o mar é tudo
que eu em terra
este varado
sequer poiso de gaivotas
nada
nada: é ser isto
um barco
é coisa feita para mar e ondas
gritos e sobressaltos
viagens mesmo se quase ali
não
não esta coisa deitada à espera
do sol
dos homens
à espera de ser
(praia de mira; companha do zé monteiro; barco de mar s. josé)
canhoto de alcunha
não é parco nas mãos ambas
ele é redes
ele é remos
ele é tudo o que o arrais pedir
ele é o sorriso
frente às vagas
o abraço que abraça todos
à tona do rosto
o mar salga-nos os olhos
só de o ver
ele é o rosto de todos os rostos
da gente de mar
ele é o rosto
dos pescadores portugueses
agostinho
vamos?
onde queiras cravo
é assim sempre
(torreira; companha do marco; 2010)
o arrais marco silva e o camarada agostinho trabalhito (canhoto) reparam os estragos feito aos saco durante o lanço.
um dos motivos porque esta companha consegue subsistir deve-se ao facto do arrais marco silva, ser um homem dos “não sei quantos” ofícios: construção naval, reparação de máquinas e motores, fazer e reparar redes e, sendo sempre o arrais da companha.
confesso que conheço poucos, como ele, que vão “a todas”
(torreira; companha do marco; 2010)