recriação da xávega na torreira, em 22 de setembro de 2013


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foi, sem dúvida, a melhor recriação a que até hoje assisti. estão de parabéns a organização e o magnífico dia que tão bem contribuiu para que tudo corresse bem.

refira-se que, à excepção da utilização dos bois, como força de tracção, das vestes dos participantes e dos primeiros momentos do largar (a remos durante mais tempo que o que hoje se usa), tudo o mais é actual.

foram muitos os que quiseram assistir a esta recriação, a praia estava cheia como se agosto fosse, e não era …..

ficam, porém, aqui alguns “avisos à navegação”, como escreveu em tempos o meu grande amigo joaquim namorado.

1. seria conveniente criar uma zona cercada por cordas, no interior da qual a recriação ocorresse. só assim se evitaria que fotógrafos fotografassem outros e se tornasse quase impossível, obter um registo só com a recriação

2. porque não fazer recriações todos os anos, como em muitas outras praias, e não só em ano de eleições autárquicas e dentro do período eleitoral ( procurei no programa do partido que actualmente está no executivo da autarquia e não vi qualquer referência ao mar ou à xávega….)

3. aos participantes gostava de lembrar, sem os querer ensinar sobre o que quer que seja, que os bois que participaram na recriação não estão habituados a esta faina, pelo que violência gratuita sobre eles em nada beneficia a recriação e cria aversão, com razão, em muitos assistentes.

4. na torreira há 2 companhas, porque não juntá-las neste evento ou alternar, caso haja mais, a participação?

quanto às fotos que aqui deixo como testemunho daquilo a que assisti, representam aquilo que pude registar, uma vez que fui insultado e impedido de fotografar pelos dois donos da companha, antes da hora em que o evento se tornou público – tinha eu chegado com 1h30m de antecedência – e não autorizado a divulgação de fotos suas.

ficam assim, aqui, os registos possíveis e o agradecimento àquela murtoseira que se me dirigiu na praia e disse: “obrigado pelas suas fotografias, quando estamos tristes nos estados unidos e temos saudades da terra, vamos vê-las”. é também por eles que aqui estou.

 

nota: a sequência porque as fotos são apresentadas é a sequência natural dos acontecimentos: pôr o barco no mar, o ganhar do mar e o alar das calas

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henrique brandão

 

 

qual bela adormecida


ser solidário na ria

ser solidário na ria

não me perguntem

que força tem a água

digo-vos apenas

que mar e ria

são os elos mais fortes

que os unem

 

solidariedade feita de água

salgada

de vidas amargas

de horas muitas sobre outra

espécie de terra

 

são sempre um

quando muitos necessários são

 

(há quem pareça ter acordado

de um longo sono

e qual bela adormecida

despertado seja pelo beijo das eleições

pense que eles não pensam

não sabem, não vêem

 

 

há quem prometa fazer o que não fez

quando era tempo de o ter feito

 

há quem ainda ainda engane alguns

durante algum tempo

mas são cada vez menos

 

porque todos

são sempre um

quando muitos necessários são)

recriação da xávega na torreira, nota breve


zé pato

zé pato

conforme divulguei, neste blog, decorreu hoje, dia 22 de setembro,  uma recriação de ” Arte Xávega com bois”, na praia da torreira.

sobre o evento falarei a seu tempo quando tiver seleccionado e editado as fotografias de que mais goste. dêmos tempo ao tempo.

no entanto, ainda hoje ao fim da tarde, já se levantava o boato de que os participantes na recriação teriam recebido 50 euros cada um.

pessoalmente acho que se é verdade não é drama nenhum –  não há almoços grátis, escreveu alguém – acho até muito bem.

mas se é verdade, o que eu gostava de saber é quem pagou.

na altura em que foi levada a cabo, durante a campanha eleitoral autárquica, é evidente que mesmo sendo promovido pelo actual executivo, deve ser pago pelos dinheiros de que dispõe para a campanha o partido que exerce o poder na câmara da murtosa – o psd.

noutra altura, como em todo o lado, durante a época balnear, deveria ser a autarquia.

espero que, caso tenha havido pagamento aos participantes, tenha havido a sensatez de pagar com os fundos destinados à campanha do partido e não com os fundos da autarquia.

espero …..

mas seria bom que todos soubéssemos se houve pagamento e quem pagou

espero que para o ano haja mais e lá nos encontremos

tempos cinzentos


mãe e filho: ana e alfredo amaral

mãe e filho: ana e alfredo amaral

 

tempos cinzentos estes
em que se espera que o pão
o de cada dia
chegue à mesa depois de um dia
de trabalho duro
ou sem trabalho
ou de mar ingrato

isto te ensinei meu filho
o caminho de areia
o caminho por onde o teu sorriso
o teu esforço para além do teu corpo
que do meu

tempos cinzentos estes
em que cada vez menos somos
quando mais nos disseram
que seríamos
saberão que somos
mais que números?

tempos cinzentos estes
por mais que nos prometam pomares
e sumo basto de laranja
ao pequeno almoço

 

(companha do marco; torreira; 2010)

recriação da xávega na torreira


cartaz do município da murtosa

cartaz do município da murtosa

 

“PRAIA DA TORREIRA VAI RECRIAR A XÁVEGA COM BOIS MARINHÕES

No próximo dia 22 de Setembro, por volta das 10.00h a Praia da Torreira vai acolher uma recriação da xávega com bois marinhões…”

 

assim se pode ler na página do município da murtosa, em notícia publicada no passado dia 11 de setembro, confirmando o informado na folha jornalística do concelho, do passado dia 31 de agosto.

muitos têm sido os pescadores e amantes da arte que me têm perguntado como é que se pode marcar um evento deste género, com tanta antecedência, ainda por cima nesta altura do ano. nem eu, nem nenhum dos questionadores teve resposta. apenas uma: não sabemos.

desde há alguns meses que se falava nesta intenção e sempre se pensou que fosse feita durante a época balnear, como em espinho, por exemplo, e no mês em que o mar é mais favorável – junho.

este ano até tivemos um agosto de mar excepcional. mas nada aconteceu.

por isso, a maioria pensou que não passava de boato e esqueceu o assunto, até que a notícia adquiriu a forma de cartaz, informação local e no espaço virtual do município.

fico feliz pela recriação que vai ser realizada, mas estou a fazer muita força para que o mar tenha sido ouvido e seja possível ao barco – todos pensamos que seja o olá s. paio – fazer-se ao mar, a recriação decorra em boas condições e que os assistentes locais, e os que cá venham de propósito, não dêem o tempo por perdido. já agora, não se sabe ainda o local exacto para a recriação, mas é na praia.

estará o mar “bom”?  eu, e muitos arrais da costa, consultamos o site

http://www.windguru.cz/pt/index.php?sc=48947

e lemos duas informações: “período da vaga” e “ondulação”. como referência, a maioria dos arrais não se faz ao mar com períodos de vaga superiores a 7, vendo em seguida a “ondulação”. a informação é bastante fiável, mas não substitui o ir ao mar pelo romper do dia e confirmar. é assim.

espero, repito, que tudo corra de acordo com o desejado pela entidade promotora.

 

eu lá estarei, de máquina ao peito, a correr pela praia.

 

fica aqui o convite aos interessados.

 

zé caravela


 

 

 

zé caravela

zé caravela

abraçar o mar
com a força dos olhos

sentir o mar
nos braços
no peso das cordas
nos pés que se enterram na areia
ao peso de tudo

saber o mar
lê-lo com todos os sentidos
e saber que nada se sabe a não ser
que é o mar

o mesmo mar
com quem teimar
é destino diário
e não cântico efémero
sem saber notas
nem ler pautas
só para encantar

conhecer o mar?
pretensão de quem pensa
em tudo poder mandar

que tamanho tem o homem?


 

o arrais marco silva, torreira, 2010

o arrais marco silva, torreira, 2010

o do desafio que aceita?

o do sonho porque luta?
o do amor que o alimenta?

não há mar a mais
nem se precisam de homens do leme
há saberes e rotas
desejos e metas

há o Homem
que só o é porque há outros homens
saibam-no ou não
basta que ele o saiba
e seja mais que ele
seja todos
mesmo aqueles que não se sabem
para o saber a ele

o tamanho do homem?
boa pergunta