à memória do arrais zé murta; torreira; 2009
xávega
ti miguel bitaolra
era tempo de mar
ti miguel
tempo de ser ainda
tempo de todos os nós
tempo
tempo que passou
no corpo
quantas vezes
era tempo de mar
ti miguel
tempo que não
apagou o sorriso
a amizade
será sempre
tempo de mar
ti miguel
que os amigos
não deixam de o ser
só porque
o tempo
fez das suas
torreira; companha do marco; 2010
a tensão ao largar (1)
alberto trabalhito (trovão)
o furadouro não está aqui
o vídeo que se segue e se diz ser sobre o furadouro, infelizmente é constituído maioritariamente por fotos minhas da torreira e uma histórica referenciada como registando o famoso arrais de aveiro, gabriel ançã.
assim não se contribui em nada para a divulgação de uma das praias mãe da xávega, antes se confunde tudo.
atenção, pois, à navegação
zé murta: o amarrar da muleta
os mais pobres dos pobres?
serão os pescadores da xávega “os mais pobres dos pobres”?
por favor, diz o que pensas disto, que eu penso assim:
“de há uns tempos a esta parte, circulam na net e na comunicação local, textos em que os pescadores da xávega são referidos como sendo “os mais pobres dos pobres”.
que um autor, usando da sua liberdade de criador use esta frase poderá ser compreensível, mas não aceitável, que autoridades locais também a usem começa a ser algo discutível e a ser matéria, no mínimo, de debate.
das comunidades piscatórias que conheço, e que são constituídas por uma fatia significativa da comunidade piscatória da xávega, não encontro nelas abundância ou fartura, mas também não é a miséria a característica dominante. na sua maioria os pescadores das companhas são reformados, que procuram na pesca uma contribuição adicional para o rendimento do agregado familiar – ou foram emigrantes, ou pescadores do arrasto ou do bacalhau, ou ainda, no caso da torreira, fazem vida entre ria e mar.
se eles fossem “os mais pobres dos pobres”, como classificaríamos os sem abrigo urbanos, a pobreza urbana onde há reformas de miséria e tudo tem de ser comprado. não conheço maior miséria que esta: a urbana. ser pobre e viver numa cidade é ser “muito pobre”.
se se quer destacar os pescadores da xávega dos restantes portugueses, não penso que esta seja a melhor forma, nem a mais motivadora, para manutenção e defesa de uma arte que é ameaçada de extinção a cada dia. fale-se, isso sim, da sua bravura e das adversidades que dia a dia atravessam quando defrontam o mar.”
a tua opinião conta, a minha, sendo esta, poderá ser revista se me provarem que estou errado.
em comentário dá tua opinião
obrigado
partir
partir, álvaro
partir sempre que destino
haverá onde
uma praia um areal imenso
partir sem saber
um cais não é casa
é porta aberta
e eu vou sair
carta, álvaro
nem de prego quero
rotas muitas
destinos tantos
mar por todo o lado
isso sim
partir, álvaro
pura e simplesmente
partir
soltar amarras e
o que for
não há-de vir
um homem só morre
quando desistir








