o pão e o espectáculo
aparelhar o maria de fátima
os rolos de cordas que, ligados uns aos outros constituem as “calas”. o aparelhamento das calas tem de ser feito de modo que o “largar da rede” decorra normalmente.
operação que, como todas as outras, requer saber e atenção
torreira; companha do marco; 2009
2005 foi o último ano de funcionamento da companha do manel dias, na torreira, que abriu falência no final da safra.
o s. pedro ficou em terra, no extremo sul da praia, junto ao final da estrada. ali permaneceu até que o falecido arrais zé murta o adquiriu, reparou e rebaptizou com o nome de “olá s. pedro”, dando assim alguma sequência ao “olá sam paio” de que era dono.
2009 foi o primeiro ano em que o “olá s. pedro”, recuperado pelo mestre felisberto, se fez ao mar com o seu novo dono.
mais tarde – ainda em 2009, segundo maria murta – e ainda em vida de zé murta, foi vendido a uma companha do pedrógão, onde ainda trabalha.
os ganchos vão ser engatados nos arganéis para que o barco comece a ser puxado pelo tractor.
os movimentos têm de ser rápidos e precisos, qualquer descuido, qualquer movimento do barco provocado pela corrente de norte ou por uma onda traiçoeira, pode apanhar os homens e não seria a primeira vez que pernas seriam esmagadas.
tudo aqui é vivido ao momento
salvé benjamim carriola
savé jacinto moreira
hoje diante de vós
se abriram as portas do mar
e sobre vós se fecharam
ser pescador aqui
nesta costa onde os grandes aprenderam
a arte de navegar e se fizeram a ignotos destinos
é ser português dos três costados
salvé benjamim carriola
salvé jacinto moreira
nós
que descendemos dos que nunca se fizeram ao mar
e por isso cá estamos
nós
aqui vos dizemos
se portugal tem filhos
vós sereis sempre os seus mais dilectos
nós
ao dizermos o vosso nome
crescemos para o mar e gritamos:
porquê?
hoje, dia 22 de maio de 2013, a xávega está de luto, dois pescadores morreram, no furadouro, quando o barco “jovem” da “companha do jacinto” se preparava para vencer a pancada de mar a 150 metros da costa.
transcreve-se a notícia do jornal online ovarnews.com
Os pescadores eram experientes, mas foram surpreendidos por uma onda, contou à Rádio Renascença, um dos sobreviventes, João Fonseca.
“O barco ia para aí a 150 metros da costa. A maré calhou mal e o barco levantou, entrou uma vaga no barco e encheu o barco de água. Foi uma embarcação próxima que veio socorrer”, descreve o pescador à emiddora.
“Toda a tripulação era experiente. Era o segundo lance do dia. É um mar conhecido, só que na altura correu mal. Não deu para galgar o mar. A primeira vaga encheu o barco de água, a segunda pôs as pessoas fora do barco.”
O vereador Vítor Ferreira, da Câmara de Ovar, confirmou à Renascença que a bordo seguiam sete pessoas. Os outros cinco tripulantes, salvos por uma embarcação, sofreram ferimentos e foram assistidos no local por elementos do INEM e dos bombeiros.
Vítor Ferreira avançou ainda que os serviços da autarquia estão no local para prestar todo o apoio às famílias. “Segundo as informações que recolhi, o próprio mestre da embarcação hesitou em ir para o mar, mas infelizmente são famílias com algumas carências e dificuldades e arriscam, apesar do conhecimento profundo que têm do mar”, disse. (Ler mais in Renascença)
O presidente da Junta de Freguesia de Ovar, Joaquim Barbosa, assegura que a embarcação de arte xávega que naufragou esta manhã cumpria todas as normas de segurança. Dois mortos e três feridos ligeiros foi o resultado do naufrágio que ocorreu a sul da praia do Furadouro, em Ovar.
Em declarações à Antena1, o autarca explica que o problema foi os pescadores terem ficado emaranhados nas redes e nas cordas. “No meio da confusão, com o frio e com a precipitação, as coisas não são fáceis e eles acabaram por não ter o discernimento total para se poderem salvar uns aos outros”, afirma Joaquim Barbosa.
Uma embarcação que se dedica à pesca da arte xávega naufragou, nesta madrugada de quarta-feira, a sul da praia do Furadouro, em Ovar, causando duas vítimas mortais. Testemunhos recolhidos no local, dizem que o barco “virou de banco”, na segunda vez que se fazia ao mar.
Segundo a mesma fonte, o alerta foi dado cerca das 7h30. A embarcação, conhecida como o “Arrastão do Jacinto”, com cinco pessoas a bordo, virou-se no momento da saída da praia para o mar, devido a um golpe fortíssimo de mar”, explicou o comandante da Capitania do Porto de Aveiro, Luciano Oliveira.
Um bote que andava no mar por perto, na mesma altura, à pesca do robalo, foi quem prestou o primeiro socorro ao “Jovem”, mas o Benjamim Carriola e o Jacinto Moreira, pescadores do Bairro do Lamarão, em Ovar, e de Cortegaça, ficaram debaixo da embarcação, emaranhados nas redes, no momento do naufrágio, não foi possível salvar.
Segundo o mesmo responsável, morreram dois homens, de 43 e 64 anos. Os restantes três tripulantes sofreram ferimentos e foram assistidos no local por elementos do INEM e dos Bombeiros de Ovar.
O comandante adiantou ainda que na altura do acidente as condições do mar e do vento “não eram gravosas”. (¨*com Lusa) (Ouvir na TSF)