torreira, 2009, à memória do arrais zé murta
a luta pela viabilização da xávega está a conseguir dar pequenos grandes passos. a união de autarcas, sindicatos e a APX é de saudar e só podemos esperar que leve a bom lanço.
“Lisboa, 05 abr (Lusa) – Representantes de pescadores pediram hoje no Parlamento que seja permitida a venda do resultado do primeiro lanço da pesca por arte xávega, ainda que seja de dimensão inferior à autorizada por lei, merecendo a concordância da maioria dos partidos.
A Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar ouviu hoje membros da Federação dos Sindicatos do Setor da Pesca e da Associação Portuguesa de Xávega e o presidente da Câmara de Mira, João Reigota (PS), a propósito dos projetos de resolução apresentados por PSD e CDS-PP, PS, PCP e Bloco de Esquerda para valorização da arte xávega (pesca artesanal, praticada junto à praia, principalmente em localidades como Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré e Trafaria).
O presidente da federação, Frederico Pereira, pediu aos deputados que seja permitida a venda “do primeiro lanço, independentemente do tamanho da captura”. Atualmente, o pescado abaixo do tamanho mínimo permitido (12 centímetros, numa quota de 5%) é devolvido ao mar e os pescadores devem abster-se de exercer a sua atividade até ao virar da maré.”
nunca lhe soube o nome
pois outro haverá
por detrás daquele
que é este
colada ao corpo
a alcunha
dirá de uma história
que desconheço
de um ter sido ou havido
que certamente é
popola
é um sorriso estampado no rosto
uma criança por dentro
de um homem
um sentir diferente dos demais
um braço igual a tantos
que sabe o mar disto?
(à memória do arrais zé murta, torreira, 2009)
e há toda uma história
nesta alcunha
o ti manel borras (manuel maria da silva), pescador da torreira, era natural do monte, de onde trazia a alcunha “patacas”, mas a vida dá muitas voltas.
a história é longa, mas ao ti manel, com muito que se possa dizer dos finais da sua vida, há algo que não se lhe pode negar: o ser uma “figura” da torreira, cuja história de vida tem sido muito deturpada por muitos.
àqueles que dizem que nunca foi pescador, quero que saibam que tenho na minha posse a digitalização das suas matrículas, retirada do arquivo da marinha, bem como notícia, no jornal da terra, de naufrágio de que foi vítima.
(torreira, 2009, à memória do arrais zé murta)