os putos da ria (1): léo brandão


 

léo brandão

léo brandão

 
desde pequeno que o léo é um amante da ria, o pai, o joão padas, só o deixa “trabalhar” na ria durante as férias e se passar de ano.

tem tudo à sua medida, fato de borracha, cabrita alta e baixa.

é um verdadeiro homem da ria, de uma timidez e capacidade de ajuda fabulosas.

este registo é de 2011

 

(ria de aveiro; torreira; porto de abrigo)

o arrais marco silva


 

 

marco silva

marco silva

 

em 2005, depois de ter regressado do luxemburgo, onde esteve emigrado, iniciou a sua vida como arrais e dono de uma companha de xávega.

ao barco que comprou e recuperou deu o nome da mãe, maria de fátima.

desde então tenho-o acompanhado sempre que estou na torreira e somos bons amigos.

a publicação dos registos da companha é feita sequencialmente, estão a chegar ao fim os registos mais relevantes conseguidos no anos de 2010, quando se aproxima a safra de 2014. tem sido assim deste então.

um abraço marco

(torreira; companha do marco; 2010)

xávega, recriação em espinho 2012


 

ir ao mar

ir ao mar

são de terra
de a trabalhar talvez
gandareses os reconheço
pela canga
o mar só os donos
alguns
o viram e sabem

não vieram a banhos
nem disso sabiam quando

molham as patas
sentem o mar
temê-lo-ão sempre
mas mais forte
a dor
do aguilhão

nem para todos
é festa
a recriação

(espinho; 2012)

o oiro da ria


anfíbia esta gente

anfíbia esta gente

 

a riqueza da ria tem variado ao longo do tempo: o sal, o peixe – nomeadamente as enguias-, o moliço, os bivalves.

nos últimos anos com o quase desaparecimento das enguias, o escassear do choco,  do linguado e da solha, têm sido os bivalves a matar a fome das gentes da ria e arredores.

a ameijoa, chamada “japónica”, que se tem reproduzido de forma surpreendente, é a espécie mais apanhada.

os preços por que são  comprados pelo revendedor, que tudo decide – quando, quanto e por quanto -, ainda vão dando para que as famílias sobrevivam nestes tempos de crise.

muitos são os que do desemprego transitam para a ria.

as licenças de mariscador, atribuídas a bateiras, estão congeladas motivando um aumento do preço de venda de bateiras com licença.

a cabrita baixa, apesar de dura, é a arte onde homens e mulheres povoam literalmente a ria, desde o instante que a “vara de apalpar” mostra que a água já chega só até ao peito, com a maré a vazar, até que seja apanhada a “encomenda” ou a enchente impeça que se continue a apanha.

isto claro nas zonas e nas épocas permitidas pelas autoridades.

(ria de aveiro; torreira; cabrita baixa)

lágrimas de crocodilo


regata da ria; 2011

a ilusão de haver tempo
sem vento de dias
sem sopros
sem

a ilusão de ficar mais
para além de
não saber
se

a ilusão de estar de novo
sempre
sem querer saber que um dia
não mais moliceiros
que a memória
de terem havido

a ilusão não
se pendura nos olhos
por saber que nos gabinetes
haverão quadros homenagens sorrisos
emblemas bandeiras frases desfeitas

lágrimas de crocodilo

(torreira; regata da ria; 2011)

irmãos


 

 

alberto trabalhito (trovão) e agostinho trabalhito (canhoto)

alberto trabalhito (trovão) e agostinho trabalhito (canhoto)

 

nem sempre é fácil juntar os dois num registo. ao remo ambos se preparam para o momento em que o barco larga da praia e o motor ainda não cala. são instantes em que só os remos impulsionam o barco até o motor ganhar calado e poder começar a trabalhar.

momento de grande perigo, embora o barco ainda tenho o fixe da muleta e da regeira.

as alcunhas – trovão e canhoto – alguém que saiba a história de cada uma, que a conte, eu agradeço.

(torreira, companha do marco; 2010)

ria de aveiro, a partilha


 

manuel branco e a esposa palmira

manuel branco e a esposa palmira

 
na pesca com a solheira, rede de tresmalho, podem-se destacar os seguintes momentos:

– largar
-alar
-safar
-arrumar

o largar é quase sempre uma acto solitário, já os 3 restantes, são frequentemente partilhados.

marido e mulher são o par mais frequente a partilhar as  tarefas

(torreira; porto de abrigo)